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Governança também é para as PMEs
Governança também é para as PMEs| Foto: Unsplash, Kaleidico/Reprodução

ESG. Você com certeza já leu essa sigla dezenas – talvez centenas? – de vezes nos últimos meses. Boas práticas ESG são o tema mais quente do mundo corporativo atualmente, o que foi impulsionado pela pandemia de Covid-19, que deixou claro que viver em um mundo mais justo e sustentável é urgente. Mas ainda que envolva três pilares, quando se fala em ESG, é comum que a questão ambiental seja a primeira a vir à mente. Afinal, esta é a coluna mais “palpável”, mais fácil de ver e de colocar em métricas. Ocorre que nenhuma prática, seja ela ambiental ou social, conseguirá avançar se a governança não estiver bem instituída na companhia. E isso vale também para as Pequenas e Médias Empresas (PMEs).

De pronto, adianto que por mais que possa soar como um bicho de sete cabeças, a governança nada mais é do que a construção ou a formalização de processos. É até possível cuidar do ambiental de forma avulsa, do social de modo independente, mas sem um processo mínimo de governança instituído, essas iniciativas não vão agregar valor ao seu negócio, não irão “profissionalizar” todo o potencial da companhia.

Qual é o papel da governança numa PME? Organizar, sendo que a organização está muito atrelada à estratégia do negócio em termos de crescimento. Uma empresa que não tem procedimentos está suscetível a erros, a fraudes, a rupturas financeiras.

Vou dar um exemplo: imagine que uma empresa receba muitos boletos; não importa o valor, mas que o fluxo de pagamentos via boleto seja alto. Se a pessoa que recebe é a mesma que lança as cobranças no sistema e entra no aplicativo do banco para fazer o pagamento, as chances de erro ou fraude são gigantescas. Quando se institui o mínimo de procedimento nesse processo, como a divisão entre duas pessoas – em que uma lança e outra paga –, os riscos são reduzidos. Isso já é governança. É possível, inclusive, instituir esse processo até mesmo junto a um microempreendedor individual (MEI), estipulando uma distância temporal entre o lançamento e o pagamento – manhã e fim da tarde, por exemplo. Já se tem, aqui, um processo.

Muitos pequenos empreendedores encaram a governança como um problema, burocracia, “encheção de saco”. A verdade, entretanto, é que ela pode ser a solução. Uma empresa que institui procedimentos de governança será melhor vista por fornecedores e pelos clientes. Ao explicar para um consumidor que, mesmo sozinho, você consegue quebrar os pagamentos em duas fases, passa-se a ideia de organização, de padrão, de confiança. O mercado não vê o empreendedor que faz o que bem entende com bons olhos, porque se eu aposto minhas fichas em uma empresa e ela quebra, não vou ter meu produto ou serviço atendidos. Assim, a governança é fundamental para garantir credibilidade e sustentabilidade ao negócio.

E aí vem a questão do ESG. Como é que uma empresa vai estabelecer um processo de social se não há procedimentos de governança minimamente instituídos. Qual foi o critério utilizado para escolher uma entidade à qual serão destinadas doações? Muitas companhias entram na “onda” do social por exigência de fornecedores e clientes e vão ajudar uma instituição que não tem conexão com seu ecossistema, que já está super bem atendida. Uma empresa têxtil, por exemplo, em vez de promover um curso de informática, por que não pensa em uma capacitação profissional de necessidade intrínseca a empresa? Vai gerar valor agregado para a comunidade do entorno, cujos cidadãos terão oportunidades de trabalho na própria indústria.

No lado ambiental, se você não tem um checklist elaborado para a homologação de fornecedor, como garantir que esse fornecedor também se preocupa com os impactos ambientais? É preciso pedir documentos comprobatórios, visitar as instalações se possível.

A governança nas PMEs não pode ser vista apenas como um processo burocrático, chato, trabalhoso. Ela promove transparência e impulsiona o crescimento da empresa, traz valor para o mercado, chama a atenção de possíveis investidores. Falar em ESG é garantir a sustentabilidade do negócio, é tornar a estrutura empresarial séria.

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