

A sagração, na versão do Guaíra.
O Teatro Guaíra anda apresentando algumas coisas bem interessantes de música. Agora, em junho, é a vez da “Sagração da primavera”, de Stravinsky, com orquestra e ballet locais. Os ingressos já estão à venda, inclusive.
As apresentações começam no dia 21 e servem quase como uma abertura do centenário da peça. Que é um dos marcos mais revolucionários da história da música. Talvez o marco mais escandaloso, mais “marcante”, sob o risco de parecer redundante.
Em 1913, Stravinsky chacoalhou o mundo da música com a peça. Ele já tinha mostrado algumas invencionices antes, com “Petrushka” e “O pássaro de fogo”. Mas foin preciso o pretexto de uma cena bárbara, num povo pré-histórico, para quebrar de vez as regras da composição da época.
Para mostrar a vida numa comunidade primitiva, Stravinsky tenta fazer uma música primitiva. E, ironicamente, para isso, precisa ser moderno, e romper com as sonoridades familiares ao ouvido da época. Debussy e Wagner já tinham feito boa parte do trabalho com a harmonia. Stravinsky se concentrou no ritmo.
A música é selvagem, muito mais selvagem do que boa parte do rock´n´roll que pretende se classificar assim. É um apelo direto ao instinto, em alguns momento, com as cordas mais parecendo tambores, com a percussão mais lembrando um ritual do que a marcação de um ritmo sinfônico.
Tudo isso para contar a história de uma adolescente condenada a dançar até morrer, como homenagem ao fim do inverno e à chegada da primavera. Essa, sim, é daquelas peças que se podem dizer obrigatórias para quem gosta de música.
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