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Livro da semana – Um caso arquivado

Depois de fazer a sua viagem ao pior lado da humanidade, em “Gostaríamos de informá-lo de que amanhã seremos mortos com nossas famílias”, Philip Gourevitch deixou Ruanda e voltou aos Estados Unidos.

E seu segundo livro surgiu quase que por acaso. A ideia dele era de fazer uma reportagem curta para a revista New Yorker, com a qual já havia colaborado.

O tema era bastante simples: a história de um homicídio não resolvido. O texto acabou crescendo e se transformou num pequeno livro. Em português, se chama “Um caso arquivado”.

Curiosamente, o título em inglês é o mesmo de um seriado policialesco que passa hoje na tevê americana (e reproduzido aqui), A Cold Case. E o espírito, em certa medida, é parecido.

A história do livro é a de um policial que, em 1997, decidiu ver o que havia ocorrido com a investigação do assassinato de um conhecido seu. Descobriu que o caso, ocorrido três décadas antes, havia sido arquivado. O assassino era dado como morto.

A partir daía, o que se vê é uma história mais ou menos típica de um filme policial. O detetive encasqueta que tem de resolver aquilo. E sai atrás do criminoso.

O assassinato ocorreu em 1970. E a dificuldade está em achar alguém 27 anos depois. Alguém que justamente tentou apagar seus traços para não ser encontrado. Mas o suposto morto é achado e, três décadas depois, vai para a cadeia.

Para quem quiser pode funcionar como uma versão em papel desse tipo de filme. Mas, claro, com Gourevitch por trás, tem sempre um texto inteligente e boas descrições dos fatos.

E o mais interessante: ao contrário das tramas hollywoodianas em geral, aqui se trata de uma reportagem de fatos verdadeiros.

Portanto, quando você lê a história de um policial que, no começo do turno, decide puxar um cobertor no carro, encostar e dormir até acabar seu plantão, não é um roteirista que está tentando provar algo. É como as coisas realmente são.

Serviço: O livro está disponível no Brasil pela Companhia das Letras, em tradução de Maria Helena Rodrigues de Souza.

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