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O porco-espinho que não confia na humanidade

Reprodução/Internet
Paul Muldoon, em foto de seu sita oficial.

Soube um dia desses, por meio do meu irmão que é professor de Letras, o Caetano, de um grande poeta vivo. É da Irlanda do Norte e se chama Paul Muldoon.

O cara tem 60 anos, vários livros publicados e é considerado um dos bons autores de língua inglesa no momento.

Como tenho me proposto a colocar um poeminha traduzido por semana aqui, achei que ia ser uma boa ideia pegar um dele.

Então, aí vai:

Porco-Espinho

O caracol se move como
um bote, sobre um colchão
de borracha de si mesmo,
Dividindo seu segredo

Com o porco-espinho. O porco-espinho
Não divide o segredo com ninguém
Nós dizemos, Porco-Espinho, saia
De si mesmo e vamos te amar.

Não desejamos mal. Queremos
só ouvir aquilo que você
tem a dizer. Queremos
tuas respostas a nossas perguntas.

O porco-espinho não dá pistas,
guardando a si para si mesmo.
Pensamos o que um porco-espinho
Tem a esconder, por que tanto desconfia.

Nós esquecemos o deus
sob essa coroa de espinhos.
Nós esquecemos que nunca mais
um deus vai confiar no mundo.

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