

Mafalda: 40 anos de genialidade.
Uma vez pensei em fazer uma lista de dez motivos que teríamos para invejar os argentinos. Afinal, somos os dois maiores países do subcontinente. E eles têm que invejar Pelé, Machado de Assis, Tom Jobim e a gasosa Cini de Framboesa, entre outras coisas. Mas, afinal, como um pouco de modéstia não faz mal, podemos pensar no que eles têm de melhor.
Nunca terminei a lista, que certamente incluiria Borges, Piazzolla e o Messi. Mas um que não teria como faltar é o Quino. E lembrei disso agora porque vi que ele está fazendo oitenta anos nesta semana. Sua personagem mais famosa, a Mafalda, também logo estará de aniversário: em 2013, completará 40 anos.
A Mafalda fez parte da minha infância. Conheci a personagem em uns livrinhos pequenos. Senão me engano, eram seis, de uma 100 páginas cada, com duas tirinhas por página. Hoje, pensando retrospectivamente, acho que talvez tenha sido minha primeira leitura política, em certo sentido.
Sim, porque a Mafalda era altamente politizada, e esse era um de seus charmes. A tirinha mostrava uma menina inconformada com as coisas do mundo e que, inteligente como só ela, pensava em saídas para resolver as coisas. Claro que era só uma menina, que não tinha como fazer muito. Mas o jeito sábio como ela via as coisas era engraçado. E engenhoso, sempre.
Quino deixou de desenhar a Mafalda nos anos 80 devido a mais uma da série de ditaduras que causaram o colapso da Argentina no século passado (nisso, nem temos como invejá-los: eles estiveram ainda pior do que nós). É uma pena. Seus trabalhos posteriores são sempre bons, mas nunca tiveram a novidade e o impacto da Mafalda.
Claro que não se tratava só de política. A tirinha mostrava relações familiares, a amiguinha consumista Suzanita, o Manolito, filho do dono da mercearia e que chocava Mafalda por sua adoração ao capitalismo, e outras cositas. O Felipe era o personagem para os meninos se reconhecerem: era menos sábio do que a Mafalda, mas bem intencionado.



