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Educação e Mídia

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Uma experiência pedagógica mostra como a investigação científica pode transformar a relação das crianças com os alimentos que consomem.

Da Embalagem à Origem: quando crianças descobrem o que realmente estão comendo

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Cada vez mais, a relação das crianças com os alimentos é influenciada pelas embalagens coloridas, marcas e seus mascotes. Na rotina acelerada das famílias, com a busca incansável pela praticidade e otimização do tempo, a indústria alimentícia acaba influenciando parte significativa dos hábitos, criando uma geração que conhece mais as embalagens do que o solo onde os alimentos nascem. Nesse contexto, a escola tem função estratégica: restituir às crianças o contato com a origem dos alimentos e promover compreensão sobre o que chega ao prato.

Foi a partir de uma pergunta simples — e reveladora — que surgiu a oficina Fake Meals – Conhecendo o alimento por trás da embalagem, desenvolvida com crianças de 4 e 5 anos do Projeto Crescer na Indústria em Curitiba. Durante uma conversa sobre alimentação saudável, emergiu a dúvida: “Como saber o que é saudável se tudo vem no pacote?”. O caso do feijão embalado, especialmente, confundiu os pequenos, que passaram a questionar se a embalagem colocava o alimento no mesmo grupo dos industrializados. A pergunta expôs um desafio do mundo contemporâneo: para muitas crianças, alimento é o que chega às casas dentro de sacolas de mercado.

Transformar essa dúvida em investigação foi o ponto de virada. A prática adotou o método investigativo: hipóteses, experimentos e registros, evitando respostas prontas. As crianças plantaram feijão, milho de pipoca, salgadinho e bolacha recheada, observando o que germinava e o que se desintegrava. Cortaram batatas frescas e chips para acompanhar a decomposição e compararam conservantes naturais, como limão, com aditivos artificiais de ultraprocessados.

Os resultados apareceram ao longo das semanas: alimentos in natura germinam e se transformam porque são vivos; já os ultraprocessados resistem ao tempo de forma artificial, preservando aparência ou produzindo fungos superficiais. As crianças compreenderam que durabilidade excessiva pode indicar aditivos que comprometem a qualidade nutricional. Mais do que classificar alimentos, aprenderam a interpretar critérios de origem, transformação e composição.

Essa abordagem reforça que educação alimentar não se resume a orientar para “comer bem”. Exige vivências concretas que permitam manipular e investigar os alimentos. Ao observar um grão brotar ou uma batata escurecer, as crianças internalizam conceitos de ciclo de vida, conservação e decomposição, ampliando sua percepção sobre produtos industrializados.

Experiências como esta, presentes em iniciativas educativas do Sesi, mostram que a inovação pode surgir de perguntas genuínas das crianças. Ao aproximá-las da origem dos alimentos, articula-se ciência, autonomia e saúde, preparando-as para escolhas mais conscientes em um mercado alimentício cada vez mais complexo.

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