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Acreditar no poder da Iniciação Científica (IC), ainda na Educação Básica, como método poderoso de formação acadêmica e humana, foi a base para tudo que foi construído e conquistado com os projetos que você conhecerá hoje, nessa coluna.
É comum pensar, até mesmo entre educadores, que a Iniciação Científica seja um modelo de trabalho e de pesquisa mais propício para estudantes de graduação, onde o planejamento da sua área de expertise já está sendo moldado. Mas isso é um erro! Como o próprio nome sugere, a linguagem científica pode ser apresentada aos estudantes mais jovens, e gerar uma conexão com a prática da pesquisa acadêmica ainda nos anos cursados na Educação Básica.
Desmistificar que a prática científica seja algo pesaroso e hermético é parte desse processo. Assim como estudar os métodos, os caminhos de coleta de dados, de comprovação, de tabulação de resultados, de produção textual científica, também! E é esse o poder da prática da IC no Ensino Fundamental e Médio.
Os educadores Fernando Lorena e Leslie Giménez, professores do Ensino Médio na Rede Sesi, mostram como esses projetos nascem de inquietações muito reais dos estudantes e se transformam em propostas que dialogam diretamente com os problemas e necessidades do mundo real. O projeto Sparkle, por exemplo, surgiu da percepção de que muitas famílias de crianças com autismo se sentem sozinhas diante da rotina de cuidados. A solução desenvolvida pela equipe combina um aplicativo, que organiza tarefas e registra avanços, com experiências em realidade virtual aplicadas em clínicas especializadas, permitindo que as crianças treinem habilidades do dia a dia de forma segura e estimulante. Já o projeto BayCat parte de outra necessidade: tornar a reabilitação de pessoas que tiveram AVC menos cansativa e mais motivadora. O projeto utiliza ambientes virtuais que convidam o paciente a se movimentar, interagir e retomar pequenas ações cotidianas, fortalecendo, pouco a pouco, as conexões cerebrais envolvidas na recuperação. O BayCat também conta com um aplicativo de acompanhamento diário, onde paciente e família podem estar em contato mais próximo e eficiente com o terapeuta.
Em uma direção completamente diferente, mas igualmente necessária, o projeto Tethys aposta no poder dos jogos para despertar a consciência ambiental. Ao colocar os participantes diante de situações reais que afetam os oceanos — como poluição, pesca industrial ou perda de biodiversidade — o tabuleiro se transforma em um espaço de conversa e reflexão. Cada carta convida o jogador a pensar em soluções possíveis e a perceber que pequenas escolhas do cotidiano têm impacto no ambiente marinho. Quando observados juntos, Sparkle, BayCat e Tethys revelam a sensibilidade e o compromisso dos jovens pesquisadores com temas que atravessam a vida de muitas pessoas. São iniciativas que unem curiosidade, criatividade, rigor científico e responsabilidade socioambiental, gerando conhecimento e propondo caminhos concretos para problemas do nosso tempo.
Todos esses projetos, inclusive multipremiados em âmbito nacional e já classificados para feiras científicas internacionais (como a Genius Olympiad - EUA, e a Zamá ExpoCiencias - MEX), mostram a capacidade que projetos desenvolvidos por estudantes da Educação Básica tem de realmente mudar o mundo ao redor deles, e transformar a realidade que os cerca para melhor. Confiar no poder da ciência e da juventude engajada é a melhor aposta que a educação, e a sociedade em geral, podem fazer para darmos ao mundo a esperança de que podemos melhorar! Podemos resolver os problemas que a contemporaneidade nos impõe. É só saber usar as ferramentas certas (como a ciência), do jeito certo (dentro da escola), no momento certo (desde cedo!).




