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Crianças e adolescentes são curiosos por natureza. Desde cedo, demonstram interesse em entender o porquê das coisas e em descobrir como o mundo funciona. Nesse momento, a escola tem uma grande oportunidade de transformar essa curiosidade em aprendizado, em pensamento crítico e em desejo de investigar e compreender a realidade. É nesse espaço que surgem os pequenos cientistas, não necessariamente os futuros pesquisadores de laboratório, mas cidadãos capazes de observar, questionar, testar ideias e buscar soluções com autonomia.
A pesquisa científica na educação básica é uma excelente ferramenta para desenvolver habilidades e competências fundamentais. Ensinar o comportamento pesquisador significa desenvolver a própria intelectualidade e cultivar um exercício crítico e reflexivo, que exige curiosidade, autonomia e disposição para aprender ativamente. Quando o estudante participa de um processo investigativo, ele aprende a formular perguntas, levantar hipóteses, analisar dados, interpretar resultados e comunicar o que descobriu. Essa vivência estimula não apenas o raciocínio lógico e a criatividade, mas também a persistência, o trabalho em equipe e a responsabilidade com o próprio aprendizado.
Com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), a pesquisa ganhou ainda mais espaço e sentido na escola. O documento traz elementos do método científico e da investigação em diferentes etapas da educação básica, propondo que o estudante aprenda a pensar de forma crítica e reflexiva. Nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, podem ser propostos procedimentos de estudo mais simples, que se tornam gradualmente mais complexos ao longo dos Anos Finais e do Ensino Médio. Essa perspectiva abre caminho para o uso de metodologias ativas, como a aprendizagem baseada em projetos e problemas, além da ampliação das práticas laboratoriais e de campo e do uso da Educação Tecnológica em diversas áreas do conhecimento, das Ciências da Natureza às Linguagens, das Ciências Humanas à Matemática.
Durante muito tempo, a iniciação científica era vista como algo exclusivo do Ensino Superior. Hoje, vivemos outra realidade. A rapidez das transformações tecnológicas e a grande quantidade de informações disponíveis exigem que a escola forme estudantes capazes de compreender, selecionar e aplicar o conhecimento de maneira responsável. Nesse contexto, aprender a pesquisar é também aprender a viver no mundo contemporâneo, um mundo que valoriza o pensamento crítico, a ética e a capacidade de resolver problemas reais.
Ao desenvolver projetos de pesquisa desde cedo, os estudantes descobrem que aprender pode ser uma experiência prazerosa e significativa. Cada investigação, mesmo as mais simples, desperta a curiosidade e a vontade de continuar explorando. A prática científica na escola também contribui para combater a desinformação e o senso comum, pois ensina o valor da busca por evidências e do uso de fontes confiáveis. Isso fortalece a formação de cidadãos mais conscientes, que aprendem a argumentar com base em dados e a respeitar diferentes pontos de vista.
A iniciação científica na Educação Básica não forma apenas alunos mais preparados academicamente, mas pessoas mais sensíveis às questões do mundo. Ela amplia o olhar sobre os desafios sociais, ambientais e tecnológicos e convida os estudantes a pensar em soluções criativas e sustentáveis. Quando a escola estimula esse tipo de aprendizagem, contribui para uma educação integral.
Promover a pesquisa e as práticas laboratoriais na escola é apostar em um ensino que desperta e fortalece o gosto por aprender. Nas 35 unidades do Colégio Sesi Paraná, a realização de feiras, concursos, projetos investigativos e o uso de metodologias de ensino baseadas na aprendizagem ativa, na interdisciplinaridade e na conexão com a indústria têm mostrado que, desde cedo, os alunos podem desenvolver o prazer pela descoberta e pela pesquisa. É transformar a curiosidade em motor de aprendizado e inovação. Quando o estudante é convidado a investigar, ele se torna parte ativa do processo educativo e compreende que o conhecimento se constrói de forma coletiva e contínua.
Mais do que ensinar conteúdos, a escola tem o papel de formar pessoas que pensam, questionam e transformam. Estimular o pensamento investigativo é preparar as novas gerações para um futuro em que a curiosidade, o senso crítico e a criatividade sejam as principais ferramentas para construir uma sociedade mais justa, ética e inovadora.




