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Entrevista

“A voz da Débora do Batom”: irmã fala sobre prisão, família e injustiça

(Foto: YouTube Gazeta do Povo)

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Em meio aos desdobramentos ainda em curso dos casos ligados a 8 de janeiro de 2023, a irmã de Débora Rodrigues — conhecida como “Débora do Batom” — afirma que a família segue enfrentando, três anos depois, as consequências diretas das decisões judiciais. Em entrevista à Gazeta do Povo, Cláudia Rodrigues falou sobre a rotina da irmã, contestou aspectos do processo e comentou fatos recentes que, segundo ela, reacendem o debate público sobre os julgamentos.

“Quero poder falar um pouquinho sobre esse caso tão comentado em todo o país e ser um pouquinho a voz dela aqui, para que todos conheçam realmente quem é a Débora do Batom”, afirmou. Débora se tornou uma das figuras mais emblemáticas entre os investigados pelos desdobramentos de 8 de janeiro de 2023 e foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal a uma pena de aproximadamente 14 anos de prisão. Inicialmente, ela cumpriu pena em regime fechado e, posteriormente, teve a prisão convertida em domiciliar, onde permanece sob medidas restritivas. Seu caso ganhou destaque nacional não apenas pela exposição de sua imagem escrevendo "Perdeu mané" com batom na estátua da Justiça, mas também por ter se tornado um dos exemplos mais citados no debate sobre a severidade das penas e a condução dos julgamentos relacionados ao episódio.

Restrições e traumas

A situação atual de Débora, segundo o relato, ainda está longe de qualquer normalidade. Após um período em regime fechado, ela passou à prisão domiciliar há cerca de um ano, mas segue sob restrições rígidas. Cláudia evita suavizar o quadro: “Dizer que ela está bem seria até uma hipocrisia da minha parte. Ninguém poderia, de fato, estar bem presa há tanto tempo, com a sua liberdade cerceada. Eu falo que ela está sobrevivendo a esse holocausto”.

Hoje, a rotina é limitada ao espaço da própria casa. “Ela não pode sair de casa. O limite dela é do portão para trás”, revelou. A distância dos filhos durante o período inicial de prisão, segundo a irmã, foi um dos pontos mais difíceis. Mesmo com a mudança de regime, ela afirma que o impacto permanece. “Minimamente, ela está melhor do que estava, porque antes estava em regime fechado, longe dos filhos. Agora ela cumpre prisão domiciliar, mas ela ainda está presa”, reforçou.

Cláudia ainda destacou que as crianças, hoje com 8 e 12 anos, ainda têm traumas dos anos que passaram longe do contato diário com a mãe. Segundo ela, os menores temem ficar longe da mãe com receio de que ela seja levada novamente e se assustam com pessoas que visitam a casa.

Refúgio político de condenados

A entrevista ocorre em um momento em que episódios recentes voltaram a mobilizar o debate sobre os casos. Um deles é a decisão da Argentina de reconhecer como refugiado político o brasileiro Joel Borges Corrêa, condenado pelo Supremo Tribunal Federal e considerado foragido. A medida foi tomada pela Comissão Nacional para Refugiados do país e, na prática, impede sua extradição enquanto o status estiver vigente, sob o entendimento de que haveria risco em caso de retorno ao Brasil.

Para Cláudia, o episódio tem peso simbólico. “É uma alegria saber que alguém está recebendo ajuda, ainda que não seja em nosso país”, disse. Na avaliação dela, decisões como essa reforçam a percepção de que há questionamentos sobre esses processos também fora do país.

Críticas a Moraes

Cláudia ainda repercutiu as críticas recentes ao ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. Ele foi alvo de questionamentos por utilizar mensagens de visualização única — que desaparecem após serem lidas — em comunicações relacionadas a investigações do escândalo Master. A divulgação de conversas com o banqueiro Daniel Vorcaro, no mesmo dia em que ele foi preso, ampliou a repercussão do caso.

Segundo a irmã de Débora, esse cenário está levando pessoas que até então não contrariavam as decisões do ministro a questionamentos diretos sobre os julgamentos já realizados: “Será que os casos foram julgados de forma correta?”

Ao falar do processo da irmã, Cláudia menciona a acusação de obstrução de provas, relacionada ao uso de celular, por Débora ter apagado mensagens. A decisão de Moraes apontou que ela teria agido com "desprezo com o Poder Judiciário e a ordem pública". “A Débora foi condenada por essa questão dos celulares, de que poderia ter obstruído provas. Porém, hoje vemos o julgador sendo acusado do mesmo crime”, concluiu Cláudia Rodrigues.

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