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Entrevista

“Flávio já supera Jair Bolsonaro em várias regiões”, diz Paulo Figueiredo

(Foto: YouTube Gazeta do Povo)

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O comentarista político Paulo Figueiredo afirmou, em primeira mão, ao programa Sem Rodeios e à coluna Entrelinhas, que levantamentos internos indicam que Flávio Bolsonaro já apresenta desempenho superior ao do ex-presidente Jair Bolsonaro em determinadas regiões do país. “Em muitos setores da sociedade, em muitas regiões do Brasil, o Flávio já está tendo um desempenho superior ao desempenho que o Jair teve ao final das pesquisas internas em 2022”, declarou. “O que eu quero dizer com isso? Que o Flávio está tendo todos os votos do Jair e está conseguindo votos de eleitores que não eram simpáticos ao Jair. E isso é absolutamente avassalador", completou. Segundo ele, essa ampliação de base é essencial para uma possível vitória presidencial.

O plano de governo de Flávio


Sobre o projeto de governo de Flávio, Figueiredo afirmou que discussões já estão em andamento e que a área econômica conta com nomes “de topo de linha”. “O mercado vai ficar muito feliz com as escolhas do Flávio nessa direção”, garantiu.
Ele prevê “dois grandes choques, talvez três” em um eventual governo Flávio:
“O primeiro é um choque de liberdade: liberdade de expressão, liberdade de manifestação política e liberdade econômica”, declarou.
A segunda área seria a segurança pública. “Nós teremos um governo que vai tratar a segurança pública de uma forma que eu acho que ainda não aconteceu no Brasil”, disse. Ele citou como referência experiências internacionais, mencionando visita a El Salvador, mas ponderou que não seria possível replicar integralmente o modelo.
O terceiro eixo seria o ajuste fiscal. “As contas públicas precisam ser organizadas. Não é só o valor gasto, é a postura em relação ao dinheiro público que precisa mudar”, apontou.

Questionado sobre sua atuação como conselheiro informal, Figueiredo afirmou não integrar oficialmente a campanha. “Eu não tenho nenhum papel e não pretendo ter nenhum papel dentro da campanha do Flávio Bolsonaro. Sou amigo da família há muitos anos. Isso me dá tranquilidade para opinar de forma desinteressada", explicou. Figueiredo afirmou que seu “único interesse” é que o país recupere níveis de liberdade que, segundo ele, foram perdidos em 2019.


Postura moderada e risco jurídico


Figueiredo também comentou a estratégia de Flávio em relação ao Supremo Tribunal Federal. Embora tenha assinado pedidos de impeachment de ministros e participado de articulações, o senador precisa estar atento a tentativas de o tirarem do jogo, de acordo com o jornalista. “O maior risco hoje é o sistema partir para cima do Flávio com força total. A gente sabe que não vive num regime democrático normal”, lembrou. Segundo ele, há receio de que qualquer movimento seja interpretado como campanha antecipada ou sirva de base para ações de inelegibilidade.
Ainda assim, defendeu que o senador não pode se omitir. “Hoje o Flávio é oficialmente o nome da direita. E o principal assunto para o povo brasileiro, segundo levantamento interno, é o impeachment de ministros do STF", reforçou.

Agenda internacional e articulação conservadora

O comentarista defendeu as viagens internacionais de Flávio Bolsonaro, que participou recentemente de eventos promovidos pela organização americana PragerU. Figueiredo argumentou que a direita brasileira precisa fortalecer alianças internacionais, a exemplo do que, segundo ele, já faria a esquerda global. Ele citou ainda o papel da USAID e de redes como a International Fact-Checking Network no debate político internacional.

Na avaliação de Paulo Figueiredo, a construção de uma rede externa de apoio é estratégica para o campo conservador brasileiro, sobretudo diante das disputas eleitorais futuras. “As pessoas precisam entender que hoje não se disputa a Presidência do Brasil apenas dentro do território nacional”, declarou.

Sistema em colapso

Durante a entrevista, o comentarista político ainda afirmou que o Brasil vive um momento de “autofagia do sistema”, com conflitos internos que, segundo ele, colocam ministros do STF e lideranças políticas no centro de uma crise institucional. Segundo Figueiredo, Lula mantém uma antiga insatisfação com Dias Toffoli, indicado ao STF em 2009. O jornalista sustenta que o presidente esperava lealdade política do ministro, o que, em sua avaliação, não teria se concretizado ao longo dos anos. Ele relembrou episódios envolvendo decisões judiciais que afetaram o petista durante o período em que esteve preso, afirmando que isso teria acirrado tensões pessoais e políticas. "É muito relevante isso que está acontecendo. O que a gente está vendo é uma espécie de autofagia do sistema", observou.

Figueiredo também apontou que Lula buscaria hoje consolidar apoio na Corte por meio de aliados, citando o advogado-geral da União, Jorge Messias, como possível indicação futura ao STF. Na avaliação do comentarista, a eventual saída de Toffoli poderia ter impactos políticos mais amplos, inclusive no Senado, envolvendo nomes como Rodrigo Pacheco e Davi Alcolumbre, em meio a negociações por indicações à Corte.

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