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Em entrevista ao programa Sem Rodeios e à coluna Entrelinhas, o pastor Silas Malafaia detalhou as pautas e expectativas para as manifestações marcadas para o próximo domingo (1º), especialmente o ato previsto para a Avenida Paulista, em São Paulo. Segundo ele, embora existam diversas bandeiras no campo conservador, o foco central do protesto está definido.
“A pauta principal é fora Lula, fora Alexandre Moraes, fora Toffoli. Esse é o mote da questão”, afirmou, citando diretamente Luiz Inácio Lula da Silva e os ministros do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. Ele acrescentou que a anistia a investigados pelos atos de 8 de janeiro também integra o conjunto de reivindicações.
Malafaia declarou que deve fazer “o discurso mais duro” de sua trajetória recente em manifestações. Disse ainda que não teme possíveis consequências judiciais e classificou como perseguição as investigações em curso contra ele.
Divisões na direita e embates internos
Questionado sobre conflitos dentro da direita, incluindo troca de críticas com o jornalista Paulo Figueiredo, o pastor afirmou que divergências são próprias da democracia. “Eu sou livre para discordar. Não sou controlado por redes sociais nem pela opinião de maioria”, comentou. Para ele, tentar impor unanimidade no campo conservador seria reproduzir práticas que atribui à esquerda.
Ele também mencionou críticas feitas ao deputado Eduardo Bolsonaro, ao comentar que possíveis ataques a Michelle Bolsonaro e ao deputado Nikolas Ferreira seriam estrategicamente equivocados. Segundo Malafaia, ambos são “os maiores cabos eleitorais” que o senador Flávio Bolsonaro poderia ter em uma disputa presidencial.
Ao tratar das divisões, citou ainda o influenciador Pablo Marçal, a quem acusou de tentar fragmentar a direita em eleições anteriores. “Quem tentou dividir realmente a direita foi Pablo Marçal”, lembrou.
Voto evangélico e cenário eleitoral
Malafaia também analisou o comportamento do eleitorado evangélico. Ele afirmou que, na última eleição presidencial, cerca de 77% a 78% dos votos evangélicos teriam sido destinados ao campo conservador, contra cerca de 22% a 23% para Lula. Para ele, não existe unanimidade, mas há predominância clara.
“Os nossos princípios são inegociáveis”, declarou, citando temas como família, costumes e oposição ao comunismo. Ele afirmou não conhecer, entre as grandes lideranças evangélicas do país, nomes que apoiem Lula.
Sobre possíveis candidaturas à presidência, avaliou que Flávio Bolsonaro, o governador Tarcísio de Freitas, o governador Ronaldo Caiado e o governador Ratinho Júnior teriam condições de disputar o cargo. No entanto, afirmou que, em sua visão, uma eventual chapa formada por Tarcísio e Michelle Bolsonaro seria “imbatível”, especialmente ao considerar índices de rejeição.
Ele também destacou o papel de Nikolas Ferreira, a quem classificou como “um nome poderosíssimo” e com “futuro brilhantíssimo”. Segundo o pastor, o deputado tem forte influência tanto no meio evangélico quanto fora dele e pode impactar eleições majoritárias.
Atuação política de cristãos
Citando passagens bíblicas, Malafaia ainda repetiu a expressão “tende bom ânimo” como incentivo aos apoiadores. “O povo é o supremo poder. Quando toma consciência e se manifesta legalmente, ninguém segura”, declarou.
Ele também defendeu a participação de cristãos na política, argumentando que o cristianismo moldou valores do Ocidente, como direitos humanos e valorização da família. “Se o comunista é comunista em todo lugar, eu sou cristão em todo lugar”, reforçou.
Críticas ao Judiciário e denúncias de perseguição
Malafaia criticou Alexandre de Moraes, a quem chamou de ditador, e afirmou ser alvo de perseguição. Ele mencionou apreensão de passaporte, investigações e denúncia relacionada a declarações feitas sobre militares após a prisão do general Braga Netto.
“O máximo que tinham que fazer era me mandar para a primeira instância. Isso é liberdade de expressão”, opinou. Segundo ele, seu advogado teve dificuldades de acesso pleno aos autos em determinados momentos, o que classificou como “vergonha” e “intimidação”.
Congresso, CPIs e blindagem política
O pastor também comentou disputas no Congresso, mencionando a CPMI do INSS e pedidos de investigação envolvendo aliados do governo. Ele criticou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, acusando-o de segurar pedidos de CPI. Para Malafaia, há blindagem para proteger interesses do governo. “Estão segurando pedido de CPI, travando CPMI e fazendo blindagem para impedir que as investigações avancem. Isso é proteção política escancarada", concluiu.









