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Em meio a uma nova onda de mobilizações pelo país, a jornalista e pré-candidata ao Senado Cristina Graeml (União-PR) tem percorrido estradas do Sul ao Sudeste na chamada “Caminhada pela Liberdade”. O movimento, que começou no Rio Grande do Sul e segue rumo à manifestação marcada para 1º de março na Avenida Paulista, reúne lideranças políticas de diferentes partidos e apoiadores que defendem pautas como anistia aos presos dos atos de 8 de janeiro, críticas ao governo de Luiz Inacio Lula da Silva e ao Supremo Tribunal Federal, além de investigações sobre supostos escândalos recentes.
Nesta entrevista, Cristina relata como tem sido a recepção popular ao longo do trajeto — passando por cidades do Paraná e pela BR-116 — e detalha as principais bandeiras do movimento. Ela também fala sobre sua pré-campanha ao Senado, a articulação com lideranças do União Brasil e o que chama de “despertar” de uma parcela da sociedade brasileira diante do atual cenário político.
Entrelinhas: O que mais tem te chamado a atenção na caminhada sobre o ânimo das pessoas?
Cristina Graeml: O que mais tem chamado a atenção é realmente o apoio imenso ao chamado para voltarem a se manifestar, sem medo. No trecho do litoral, as pessoas gritavam por Anistia Já, Bolsonaro e Fora Lula das sacadas dos apartamentos, das casas, de dentro dos carros, algumas até da praia. Quem podia, corria para nos abraçar e até caminhava algumas quadras, em apoio. Foram raríssimos os lulistas que se manifestaram e sempre confirmando a intolerância a quem pensa diferente.
Teve gente que veio de Curitiba, Colombo, São José dos Pinhais, Paranaguá e Antonina só para participar da caminhada. Por todo o caminho, comerciantes não nos deixaram pagar por água, material de farmácia, alimentos. Diziam que era contribuição e agradecimento pelo que estamos fazendo.
Nos trechos de estrada, da tarde de domingo pra cá, é buzinaço direto. Temos apoio expresso dos caminhoneiros e motoristas, que também gritam palavras de indignação com as prisões políticas e a corrupção no governo Lula. Acredito que o movimento, iniciado pelo Nikolas em Minas Geraos e que teve continuidade no RS, SC e agora, PR, é sim um despertar.
Entrelinhas: Quais são as principais pautas defendidas pelo movimento?
Cristina: As pautas são: liberdade para os presos políticos, incluindo o presidente Bolsonaro, derrubada do veto da dosimetria, votação e aprovação do PL original da Anistia e também investigações do roubo dos aposentados, do escândalo do Banco Master e impeachment dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. Ainda que libertar inocentes presos por mera perseguição política seja prioridade absoluta, é impossível não falar também em combate à corrupção, uma vez que ela voltou com tudo no governo Lula e até a esquerda está finalmente vendo e se colocando contra os ministros do STF envolvidos no caso Master.
Entrelinhas: Quais outras lideranças estão contigo nessa caminhada?
Cristina: A manifestação do dia 1º de março na Avenida Paulista será o fim da caminhada que começou em 29 de janeiro no Rio Grande do Sul com o deputado estadual gaúcho Capitão Martim (Republicanos-RS) e com o vereador Marcelo Ustra (PL-RS) de Porto Alegre, seguiu por Santa Catarina com o deputado estadual Sargento Lima (PL-SC) e vereador Instrutor Lucas (PL), de Joinville e, aqui no Paraná, comigo, com o deputado estadual Delegado Tito Barichello (União-PR), a vereadora de Curitiba Delegada Tathiana (União-PR).
Entregaremos hoje a bandeira do Brasil, assinada por todas essas lideranças, na divisa do Paraná com São Paulo. Quem vai receber e seguir a caminhada pela Liberdade Acorda Brasil SP é o escritor, palestrante e ex-sem terra Pedro Pôncio (filiado ao Novo), que entregará as bandeiras para os deputado estadual paulista Tomé Abduch (Republicanos), organizador da manifestação da Paulista.
Entrelinhas: A caminhada tem a ver com a pré-campanha para 2026?
Cristina: Essa passagem pelo litoral do estado e BR-116 na caminhada pela Liberdade não faz parte de pré-campanha eleitoral nem tem conotação partidária, tanto que as lideranças que participam desde o Rio Grande do Sul são de vários partidos, nem todos têm mandato, como é o meu caso, e a maioria dos participantes sequer tem ligação com política. São cidadãos indignados com a corrupção do governo e o processo acelerado de implantação de uma ditadura do Judiciário no Brasil.
A caminhada foi realizada no feriado. Não teria mesmo como fazer viagens de pré-campanha nesse período, porque todas as lideranças políticas e empresariais que costumam me receber viajam com as famílias.
Entrelinhas: Pode nos falar um pouco também sobre sua pré-candidatura ao Senado?
Cristina: A agenda de pré-campanha para o Senado segue intensa. Já passei por 96 cidades desde que fui lançada pré-candidata ao Senado, em fevereiro do ano passado. Rodei mais de 40 mil quilômetros de carro em um ano, o equivalente a uma volta ao mundo dentro do Paraná.
Antes de começar a caminhada estive em Arapongas, Apucarana, Cambé, Rolândia, Cascavel e Diamante D’Oeste.
Depois da manifestação na Paulista, já tenho mais viagens agendadas. Faço questão de conversar com os prefeitos e vereadores, não só para me apresentar e levar a proposta de ser uma senadora municipalista, que pretende abrir portas em Brasília para destravar projetos e facilitar o acesso aos recursos públicos, mas também para conhecer melhor as demandas de cada região do estado.
Entrelinhas: Como tem sido esse trabalho ao lado das outras lideranças do partido?
Cristina: O trabalho ao lado de outras lideranças do União Brasil tem sido de completa parceria e alinhamento de pautas. Temos um grupo forte, unido, focado em trabalhar pelo desenvolvimento do Paraná e pela melhoria da qualidade de vida dos paranaenses, com foco no combate à criminalidade, melhora da educação e da saúde.





