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Em meio a debates sobre o sequestro da cultura por parte da ideologia marxista e progressista, o cinema cristão tem conquistado novo fôlego e ampliado seu público ao redor do mundo. Produções recentes mostram que há demanda por histórias centradas em fé, família e valores, mas também apontam para uma transformação na forma de contar essas narrativas. À frente desse movimento está o mexicano Arturo Allen, CEO e diretor da CanZion Films, uma das principais produtoras do segmento na América Latina. Sob sua liderança, a empresa já lançou mais de 23 filmes, alcançando um público superior a 8 milhões de pessoas. Roteirista, produtor e diretor, Allen também foi indicado como produtor no Monster Music Awards, no México, e construiu uma trajetória pioneira na distribuição de conteúdos cristãos, incluindo mais de 70 videoclipes e quatro curtas-metragens. Nesta entrevista à coluna Entrelinhas, ele fala sobre o novo filme, que estreia em breve no brasil: A Família da Fé, os desafios do setor e as mudanças no audiovisual cristão.
Entrelinhas: Quão importante é poder falar desses valores — família, fé e princípios — nas telonas hoje? Em um cenário dominado por outras visões ideológicas, como inserir esses temas no cinema?
Allen: É difícil, porque o espaço normalmente vai para outras temáticas, mas também há um público muito grande que quer ver esse tipo de filme com valores e princípios. Temos visto isso com sucessos de bilheteria como Quarto de Guerra, A Forja e Som da Liberdade, filmes que têm revolucionado o cinema. Neste caso, queríamos romper um pouco o molde do típico filme cristão. Normalmente são dramas, e desta vez estamos inovando com uma comédia.
Entrelinhas: Falando em Som da Liberdade, o diretor e coautor da obra, Alejandro Monteverde, também está na equipe do novo filme. De que forma foi organizado o elenco técnico?
Allen: Neste caso, contamos com uma grande equipe, pessoas muito comprometidas com a mensagem e também com a qualidade cinematográfica, buscando alcançar não apenas o público cristão, mas qualquer espectador que queira uma boa história. No grupo, há majoritariamente cristãos de diferentes denominações, mas também judeus e adeptos de outras religiões.
Entrelinhas: Há uma mudança na forma como o público enxerga produções cristãs, especialmente após o sucesso da série The Chosen?
Allen: Totalmente. The Chosen é incrível. É a série que foi traduzida para mais idiomas em toda a história. Acabou de bater recorde. E fez algo incrível, que foi humanizar Cristo. Quando vemos Jesus, é um Jesus com quem nos identificamos. É um Jesus muito humano, com senso de humor. Também ajudou a identificar os discípulos. Antes eram apenas "os discípulos". Agora sabemos quem é Pedro, João, Mateus, e nos identificamos perfeitamente. Acho que essa é uma das grandes coisas que The Chosen fez, e por isso alcançou uma audiência mundial enorme. Também fez algo incrível ao retratar o contexto histórico, social e cultural da época. Não como antes, quando algumas denominações apresentavam um Jesus conforme suas crenças. The Chosen reúne um grupo de roteiristas de diferentes denominações — judeus, católicos, protestantes — e, com essa equipe, conseguem alcançar isso. Acho que é isso que veremos cada vez mais.
Entrelinhas: Modelos alternativos de produção, como o da Angel Studios, que faz o The Chosen, indicam uma mudança na indústria de cinema?
Allen: O caso da Angel Studios é incrível. Eles surgem com uma proposta diferente: não é um diretor ou CEO que decide quais filmes serão feitos. Eles têm um grupo com mais de 2 milhões de pessoas. Essas pessoas votam em quais filmes a Angel vai produzir ou distribuir. Então, há uma plataforma onde os projetos são apresentados, e o público decide. É um sistema revolucionário, que dá voz às pessoas para que escolham. Como dizem os americanos, é algo que vem de baixo para cima.
Entrelinhas: Esse movimento tende a crescer nos próximos anos?
Allen: Cada vez mais vemos isso, até porque o custo de fazer cinema diminuiu com a tecnologia digital. Já não é necessário filmar com lentes caras, tudo é digital. Isso abriu portas para pequenos estúdios e empresas produzirem esse tipo de conteúdo. No Brasil, por exemplo, vemos um ressurgimento importante no apoio e na difusão dessas produções.
Entrelinhas: A proposta da produtora CanZion é ligada a uma denominação específica ou é mais ampla dentro do cristianismo?
Allen: É antes de tudo cristã. Trabalhamos com diferentes grupos, diferentes visões dentro do cristianismo, mas com um objetivo comum, que é levar uma mensagem que una as pessoas.
Entrelinhas: Qual é a expectativa e relação à receptividade do público brasileiro ao filme?
Allen: Temos uma expectativa muito alta, porque o público brasileiro é muito receptivo a esse tipo de conteúdo, valoriza a família, a fé, e acreditamos que vai se identificar muito com a história.
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