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Entrelinhas

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Entrevista

Orléans e Bragança sobre ser vice de Flávio: “Depende dele”

(Foto: Zeca Ribeiro/Agência Câmara)

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Em meio às articulações para as eleições de 2026 e às crescentes tensões entre Brasil e Estados Unidos, o deputado federal Luiz Philippe de Orléans e Bragança conversou com a coluna Entrelinhas e o programa Sem Rodeios sobre alguns dos temas mais relevantes da atualidade política. Durante a entrevista, o parlamentar comentou as especulações sobre uma possível candidatura à Vice-Presidência da República, avaliou os impactos do anúncio de novas tarifas americanas sobre produtos brasileiros e analisou as estratégias eleitorais da esquerda diante do cenário internacional.

Luiz Philippe também falou sobre a decisão dos Estados Unidos de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas, medida que considera um marco no enfrentamento ao crime organizado. Ao longo da conversa, o deputado apresentou sua visão sobre liberdade de expressão, relações diplomáticas, segurança pública e os desafios políticos que, segundo ele, marcarão os próximos anos no Brasil.

Entrelinhas: Nos últimos dias, surgiram especulações sobre a possibilidade de o senhor compor uma chapa presidencial como candidato a vice. Existe essa chance?

Bragança: Imagino que isso decorra de uma constância e de uma entrega política que, na minha visão, estão em falta no Brasil. Sempre me sinto honrado quando meu nome é lembrado. É um privilégio ser brasileiro e poder servir ao país. Agora, essa decisão não depende de mim. Não tenho contato direto com Flávio Bolsonaro nem com o partido sobre esse assunto. Cabe a ele e ao partido fazerem a melhor escolha. Certamente acredito que posso agregar, e seria um grande privilégio, mas a decisão final cabe a esses agentes políticos.

Entrelinhas: Como o senhor avalia o anúncio dos Estados Unidos sobre a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros?

Bragança: O governo norte-americano serve, antes de tudo, aos interesses dos Estados Unidos e de sua população. Esse governo, em especial, é extremamente voltado para isso. Na minha avaliação, parte dessa decisão está relacionada à forma como o Brasil trata questões como liberdade de expressão, censura e restrições a empresas norte-americanas. Existe uma preocupação dos Estados Unidos com a atuação de empresas de mídia e plataformas digitais em um ambiente onde, segundo eles, há cerceamento de liberdade.

Por outro lado, quando se parte para tarifas comerciais que atingem empresas brasileiras, vejo um problema. As empresas brasileiras já enfrentam enormes dificuldades impostas pelo próprio Estado brasileiro. Nesse ponto, considero que a justificativa perde força. Sanções políticas ou individuais poderiam fazer mais sentido dentro da lógica apresentada. Mas prejudicar empresas brasileiras acaba sendo negativo para o país.

Entrelinhas: O governo Lula tem tratado a questão das tarifas sob a ótica da "soberania nacional". O senhor acredita que esse tema será explorado eleitoralmente pela esquerda?

Bragança: Eles certamente vão tentar. Na verdade, já estão tentando. Mas acredito que o eleitor brasileiro está mais consciente sobre a forma como a esquerda opera politicamente. Na minha visão, muitas das bandeiras históricas da esquerda — democracia, inclusão, justiça social, soberania nacional, ambientalismo e pautas identitárias — acabaram sendo utilizadas como revestimento para práticas que hoje estão associadas a corrupção, crime organizado e outras irregularidades.

Por isso, não acredito que essas narrativas tenham a mesma força de antes. A população está mais informada e mais preparada para identificar esse tipo de discurso. Vejo uma opinião pública muito mais vacinada contra essas estratégias políticas do que em outros momentos da história recente.

Entrelinhas: O senhor acredita que a narrativa da "soberania nacional" terá pouca aderência entre os eleitores?

Bragança: Sim. Não vejo um movimento nacionalista com grande capacidade de mobilização como ocorreu em outros períodos históricos. As narrativas utilizadas pela esquerda nos últimos anos têm perdido aderência. Minha percepção é que a maioria da população já consegue avaliar esses discursos com mais senso crítico.

Entrelinhas: Os Estados Unidos classificaram facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. Qual é a importância dessa medida?

Bragança: Considero essa uma excelente medida. Para muitos brasileiros que vivem sob o impacto da violência e da insegurança, ela representa um sopro de esperança. Na minha avaliação, existe uma relação entre o crime organizado e a sustentação de determinadas estruturas políticas e institucionais que hoje atuam no país.

A classificação dessas organizações como terroristas pode abrir caminho para ações internacionais mais rigorosas, incluindo rastreamento de ativos financeiros e monitoramento de transações. Isso pode trazer mais transparência para setores que, na minha opinião, precisam de maior fiscalização.

Entrelinhas: Essa decisão pode ter reflexos políticos e eleitorais no Brasil?

Bragança: Pode, sim. A população busca segurança e estabilidade. Muitas pessoas associam o atual governo à insegurança e ao fortalecimento de estruturas que não oferecem respostas efetivas para o combate ao crime. Se essa medida contribuir para enfraquecer organizações criminosas e aumentar a sensação de segurança, é possível que tenha impacto também no ambiente político e eleitoral. Vejo a iniciativa dos Estados Unidos de forma positiva nesse contexto.

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