
Ouça este conteúdo
Dinheiro, influência política e controle das narrativas estão no centro das críticas de Rony Gabriel (Podemos-RS), deputado federal eleito que ganhou projeção ao denunciar a contratação de influenciadores por Daniel Vorcaro. Em entrevista ao Sem Rodeios e à coluna Entrelinhas, da Gazeta do Povo, ele sustenta que o caso expõe um problema maior do que as relações entre o banqueiro e personalidades da internet: a disposição de setores políticos e da imprensa para cobrar explicações de adversários enquanto poupam aliados.
“A crítica que faço vai além da questão somente do crime. Ela vai à questão de quem está influenciando e de quem paga por essa influência”, disse. Na mira de Rony estão não apenas os influenciadores, mas também jornalistas e veículos de comunicação que, segundo ele, precisam responder por eventuais vínculos com interesses privados.
O parlamentar eleito relata ter sido chamado de mentiroso e acusado de usar uma denúncia feita no começo do ano para se promover. Também questiona a cobertura do caso por veículos como SBT News e Metrópoles e diz que houve tentativas de tirar o assunto de evidência, deslocando o foco para nomes da direita, como Flávio Bolsonaro (PL) e Nikolas Ferreira (PL-MG). Ele defende que as investigações avancem sem distinções partidárias e que eventuais sanções correspondam às condutas comprovadas.
Escândalo do INSS pode ampliar desgaste de Lula
Entre os episódios que, segundo Rony, podem pesar na reta final da campanha eleitoral está o caso envolvendo Roberta Luchsinger e as denúncias relacionadas ao escândalo do INSS. O deputado considera que as declarações dela ampliam o debate para além das suspeitas de corrupção, ao levantar questionamentos sobre possíveis interferências políticas e a atuação de pessoas próximas ao presidente.
Ele também menciona ameaças relatadas por Roberta e o acidente envolvendo a filha dela, cujas circunstâncias, segundo o parlamentar, ainda precisam ser esclarecidas. Rony diz que tornar as acusações públicas é uma forma de reduzir a vulnerabilidade de quem denuncia irregularidades.
Outro ponto que considera grave é a alegação de que ministros teriam procurado a lobista para obter acesso ao presidente. Para ele, o episódio levanta dúvidas sobre a relação entre autoridades e intermediários privados, além de alimentar questionamentos sobre o funcionamento das instituições. “O Lula intervém na Polícia Federal para proteger o filho", destacou.
Janones e o tiro no pé da campanha petista
A estratégia de comunicação da campanha petista também entrou na mira do deputado eleito. Rony criticou a atuação de André Janones (Rede-MG), questionando a escolha do parlamentar para a linha de frente da mobilização digital de Lula. Na sua avaliação, a cobrança moral dirigida aos adversários perde força quando não é aplicada com o mesmo rigor aos aliados. Janones orientou seu público a não se informar sobre as denúncias da lobista.
Para Rony, a repercussão do caso dependerá também da capacidade de as denúncias romperem as bolhas políticas. Ele cita os vídeos em que Roberta rebate declarações de Lula sobre não conhecê-la e afirma que a proximidade dela com a família do presidente torna o episódio politicamente relevante.
O deputado ainda vê contradição no anúncio, às vésperas da votação, de medidas relacionadas ao Bolsa Família e à escala de trabalho 6x1. Em sua leitura, a apresentação tardia dessas propostas reforça a percepção de uma campanha que tenta recuperar terreno sem oferecer, ao longo do percurso, respostas consistentes aos problemas do país. “Lula tem feito todos os absurdos possíveis para tentar reverter a eleição. O último agora foi o adiantamento do Bolsa Família", destacou.
Rony aposta, por fim, no alcance da comunicação digital para levar essas controvérsias a um público mais amplo. “Graças a Deus, agora a gente tem internet para mostrar a verdade”, concluiu.
O desafio de Flávio Bolsonaro e o voto decisivo
Com a disputa eleitoral na reta final, Rony considera que Flávio Bolsonaro conta com uma base consolidada à direita, mas precisa avançar sobre o eleitor de centro.
A perspectiva de um novo mandato petista, argumenta, seria agravada por um Congresso de maioria conservadora. O embate entre Executivo e Legislativo poderia dificultar a aprovação de projetos e indicações ao Supremo, comprometendo a governabilidade e ampliando a instabilidade política.
A preocupação, porém, não se limita à relação entre os Poderes. Rony associa a continuidade de Lula a riscos para a economia, a segurança pública e a previsibilidade jurídica — fatores que considera essenciais para a retomada da confiança no país.
“Hoje, colocar o Lula é um suicídio econômico do Brasil, da segurança pública, da segurança jurídica, de qualquer pessoa que imagine ou cogite ter tempos de paz e prosperidade”, declarou.
VEJA TAMBÉM:

Mariana Braga é jornalista formada pela UFPR, com mestrado pela École Normale Supérieure de Lyon, na França. Trabalhou como assessora parlamentar na Assembleia Legislativa do Paraná. Foi repórter, apresentadora, editora e chefe de reportagem em emissoras de televisão. Tem formação também em Artes Cênicas e Psicanálise. **Os textos da colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.




