
Ouça este conteúdo
Após dois meses longe das redes sociais e das entrevistas, além das atividades legislativas, o deputado federal Ricardo Salles (Novo-SP) reapareceu com um vídeo dizendo estar “de volta”. Segundo ele, a pausa foi estratégica — motivada pela fase decisiva de dois processos judiciais no Supremo Tribunal Federal. Em entrevista exclusiva, Salles não economizou críticas ao Congresso, ao governo Lula e às divisões internas da direita. O parlamentar falou sobre sua ausência, o cenário para 2026 e a disputa pelo Senado em São Paulo.
Entrelinhas: O senhor ficou cerca de dois meses mais recolhido e publicou recentemente um vídeo dizendo que está de volta. O que motivou esse afastamento?
Ricardo Salles: Foram dois processos judiciais que entraram simultaneamente em fase decisiva no STF. Um deles, ainda da época em que fui secretário de Meio Ambiente em São Paulo, foi encerrado agora, com decisão favorável a mim. O outro, referente ao período em que fui ministro, entrou na fase de instrução. Foram centenas de horas dedicadas à defesa. Quando você enfrenta esse tipo de situação, precisa mergulhar no processo. Foi uma pausa necessária.
Entrelinhas: Nesse período mais distante da exposição pública, o que o senhor observou no Congresso?
Salles: O Congresso praticamente não votou nada que seja do interesse real do Brasil. Só há pauta para aumentar tributo, regular o que não precisa e avançar agendas que não têm apoio popular. Eu até brinquei que, se o Congresso entrasse em recesso por 180 dias, o PIB dobraria, porque o que mais se vota são medidas que atrapalham o país.
O governo também está gastando muito mais do que deveria, colocando gente despreparada em cargos estratégicos e ampliando fragilidades que já existiam. Isso vai cobrar um preço. Não existe almoço grátis. Toda essa política demagógica vai explodir no ano que vem.
Entrelinhas: E como tem sido o esforço contra a Oposição no Congresso?
Salles: Há um esforço claro para calar a direita. Projetos como o que muitos chamam de “PL do Apocalipse Digital” são exemplos disso. Como a esquerda não tem confiança nas próprias ideias, tenta limitar a liberdade de expressão dos outros.
Entrelinhas: Tendo em vista esse cenário, qual será o clima para as eleições de 2026?
Salles: Vai ser uma eleição dura. O presidente Lula ainda tem força eleitoral, mas também carrega alta rejeição. A direita precisa definir estratégia — se vai concentrar forças em um nome ou pulverizar candidaturas no primeiro turno. Cada modelo tem vantagens e riscos.
Entrelinhas: O senhor tem defendido mais unidade na direita. Por quê?
Salles: Porque estamos brigando entre nós de maneira pública e desnecessária. Divergências são normais, mas não se pode destruir pontes. Enquanto a direita se digladia nas redes, a esquerda resolve suas diferenças internamente. Precisamos aprender isso.
Entrelinhas: Em São Paulo, o senhor já se colocou como pré-candidato ao Senado. Como vê essa disputa?
Salles: A disputa será forte. Se o Fernando Haddad for candidato, é um nome competitivo. Pela direita, hoje os nomes mais colocados são o Guilherme Derrite e eu. Defendo que não se pulverize demais, porque isso pode facilitar a vida da esquerda. E, da minha parte, não retiro minha candidatura.
Entrelinhas: O Senado de 2027 pode mudar o equilíbrio institucional do país?
Salles: Pode, desde que se elejam senadores realmente alinhados à direita. Não adianta eleger alguém com discurso conservador que depois vota com o governo. Precisamos identificar quem tem histórico consistente e jogar em grupo.





