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Entrelinhas

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Entrevistas exclusivas com protagonistas da política brasileira. Debates profundos sobre os principais assuntos da atualidade.

The Send Brasil

Telmo Martinello alerta para uso da fé como palanque político

(Foto: Gazeta do Povo)

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Durante o The Send Brasil, um dos maiores encontros missionários da atualidade, realizado simultaneamente em cinco capitais brasileiras, o pastor Telmo Martinello concedeu entrevista exclusiva à coluna Entrelinhas e fez um alerta direto sobre a relação entre cristianismo e política. Em meio a 12 horas de programação com louvor, oração, ensino bíblico e ativações missionárias, o líder defendeu que a fé cristã deve inspirar a atuação pública dos religiosos, mas jamais ser instrumentalizada como ferramenta eleitoral ou usada como palanque dentro da igreja.

O fundador da Abba Pai Church, uma das maiores igrejas de Criciúma - SC, que atrai fiéis de todo o país em seus eventos, afirmou que iniciativas como o The Send funcionam como um ponto de partida espiritual. “Eu acredito que um evento desse trabalha muito como um start, como um despertamento. Muitos jovens levantando e pregando a vida para Jesus, outros se reconciliando”, disse. Para ele, o entusiasmo do momento precisa ser acompanhado de responsabilidade e perseverança. “O ‘sim’ é importante, mas a continuidade a partir de agora é o que vai fazer toda a diferença", apontou.

A importância de cristãos na política

Durante a entrevista, Martinello destacou a necessidade de os cristãos assumirem um papel ativo na sociedade. Ele lembrou que orou publicamente pedindo perdão pelo uso de igrejas como palanques políticos e reforçou que o tema exige discernimento, especialmente em anos eleitorais.

“É claro que a gente quer cristãos no Congresso, em todos os lugares. A gente precisa disso”, reconheceu. Para o pastor, não existe separação entre vida espiritual e atuação profissional. “O cristão engenheiro, o cristão político, o cristão professor, o cristão pastor, ele é um sacerdote naquilo que Deus deu para ele. Nada é secular quando você entrega a vida para Cristo”, afirmou. Segundo ele, essa compreensão de integralidade ajuda a formar cristãos coerentes em qualquer espaço. “Não é melhor o político e nem melhor o professor. Todos devem ser cristãos onde estiverem", avaliou.

No entanto, ele fez uma distinção clara entre fé e projeto de poder. “O lugar da igreja é ensinar princípios e valores do Reino de Deus. Nós não devemos e não podemos defender partido nem político”, declarou. Para ele, cultos e púlpitos não devem ser utilizados como espaço de campanha. “Eu defendo que não é lugar de palanque. O púlpito é lugar de pregar o evangelho", reforçou.

Na avaliação do pastor, a transformação de uma nação não acontece por meio de alianças políticas, mas pela mudança individual promovida pela fé. “O evangelho não salva uma nação, salva o indivíduo para a eternidade. A diferença vem dos cristãos, não de um político. São os cristãos que fazem a diferença em uma nação", opinou.

"O problema não é a política; é a politicagem"

Apesar das críticas ao uso indevido da fé, Martinello rejeitou a ideia de que política e cristianismo sejam incompatíveis. “A política não é suja. A política é a arte de governar”, afirmou, fazendo uma distinção entre política e “politicagem”. “O problema é quando há barganha, conchavos, quando se usa o poder do pastoreio e da influência para levar o rebanho de Cristo a um político. Aí eu erro. Aí eu não concordo", argumentou.

O pastor ainda fez uma crítica ao cenário atual da fé no país. “Eu acredito que a igreja brasileira é imatura e precisa crescer. Eu me incluo nisso. Não estou comentando de fora, estou em campo”, avaliou. Ainda assim, demonstrou esperança em um amadurecimento coletivo: “Acredito muito que nós podemos amadurecer, nos tornar mais sábios e mais equilibrados nesse assunto.”

The Send Brasil

O evento aconteceu ao mesmo tempo em Recife, Belém, Belo Horizonte, Curitiba e Goiânia, reunindo cerca de 200 mil participantes ao longo do dia. A programação contou com a presença de líderes e convidados nacionais e internacionais, como Ana Paula Valadão, Silas Malafaia, Rick Warren, Andy Byrd e Teo Hayashi, e teve como foco mobilizar especialmente jovens para frentes como engajamento bíblico, missões transculturais, escolas, universidades e adoção. O The Send é um movimento missionário global que propõe um compromisso contínuo com a missão cristã, para além do evento. Na edição de 2020, os encontros aconteceram em São Paulo e Brasília.

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