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Entrelinhas

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Entrevista

Zema dispara contra STF, cita perseguição a Bolsonaro e promete levar candidatura até o fim

(Foto: YouTube Gazeta do Povo)

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O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, confirmou que pretende disputar a Presidência da República em 2026 pelo Partido Novo. Em entrevista à coluna Entrelinhas e ao programa Sem Rodeios, ele comenta o pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, faz críticas ao Supremo Tribunal Federal, analisa o cenário eleitoral da direita, segurança pública, política externa e o balanço de sua gestão em Minas Gerais. Zema também reafirma que pretende levar sua candidatura até o fim e aposta em crescimento da bancada do Novo no Congresso.

Entrelinhas: Nesta semana, o senhor protocolou um pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes. Diante das recentes revelações e da pressão popular, o senhor acredita que agora o Senado pode avançar e que o ministro pode deixar o cargo?

Zema: Eu sei que as forças do mal estão aí de plantão e de prontidão, querendo, mais uma vez, fazer com que tudo termine em pizza. Mas me parece que vocês, meios de comunicação, estão muito atentos, acompanhando passo a passo as informações que estão saindo desses aparelhos de celular, que na minha opinião são uma verdadeira caixa de Pandora. Eu acho que até o momento apareceu 2% ou 3% do conteúdo que nós ainda teremos acesso. O que não pode é a investigação parar ou sofrer qualquer dano. Ela precisa continuar. Eu continuo extremamente confiante. O fato em si causa a mais alta indignação. A hipocrisia de quem se coloca como pai da democracia e agora vemos que, na verdade, havia interesses por trás disso tudo. A mais alta corte precisa ser exemplo de credibilidade. Se isso acontece ali, o que esperar do restante do Judiciário? Mesmo com o corporativismo que existe, sigo confiante. E, se tentarem tapar o sol com a peneira, a resposta virá nas urnas em outubro.

Entrelinhas: Quando houve a condenação de Bolsonaro, o senhor chegou a dizer que não teria o que opinar, por não ser jurista. Tendo em vista os últimos escândalos que envolvem o Judiciário, o senhor mudou sua visão sobre a condenação?

Zema: Eu sempre disse que achava absurda a narrativa de tentativa de golpe associada ao 8 de janeiro. Nunca vi nenhuma tentativa real de golpe de Estado. Se houve, ficou no campo das ideias. E idealizar algo não torna alguém criminoso. Com os fatos que vieram à tona agora, essa visão se fortalece ainda mais. Para mim, ficou claro que houve tratamento tendencioso para afastar o presidente de qualquer condição de disputar eleições.

Entrelinhas: Há especulações de que o senhor poderia compor como vice em uma chapa com Flávio Bolsonaro. O senhor recebeu convite ou considera essa possibilidade?

Zema: Houve muitas especulações na mídia, mas nunca recebi nenhum convite formal. E mesmo que recebesse, eu não aceitaria, porque tenho dito que levarei minha pré-candidatura e candidatura até o final. O Partido Novo tem propostas diferentes da maioria da classe política. Queremos reduzir o fundo eleitoral e partidário, abrir todas as caixas-pretas e aumentar a transparência. Sou contrário também ao nível atual de emendas parlamentares. São temas que muitos políticos não gostam de discutir. Por isso acredito que posso representar uma alternativa.

Entrelinhas: Caso haja um segundo turno entre um candidato da direita e o presidente Lula, qual seria sua posição?

Zema: Eu estarei com o candidato que estiver contra o PT. Tenho certeza de que a direita estará unida no segundo turno. Hoje há vários nomes fortes, o que mostra que a direita está fortalecida. Diferente da esquerda, que tem basicamente o mesmo nome há décadas.

Entrelinhas: O ministro Gilmar Mendes criticou sua gestão e chegou a sugerir que o senhor levou Minas Gerais a uma situação econômica ruim. Como o senhor recebeu essas declarações?

Zema: Essa é uma postura típica de quem se acha intocável. Eu estive com praticamente todos os ministros explicando tecnicamente a situação de Minas Gerais e pedindo apenas uma decisão correta. Agora me parece que, na cabeça do ministro, quando alguém decide algo favorável a você, você passa a ter uma dívida com ele. Eu imaginava que justiça fosse feita para fazer justiça, não para criar dívida. Quem quebrou Minas Gerais foi o governo anterior, do PT. Quando eu assumi, em 2019, o Estado tinha salários atrasados e repasses às prefeituras suspensos. Tivemos prefeitos que renunciaram e até casos de suicídio. Talvez o ministro esteja falando de algo que desconhece.

Entrelinhas: O senhor veio da iniciativa privada. Qual foi o maior choque ao assumir o governo de Minas Gerais?

Zema: Eu fiquei 30 anos no setor privado, abrindo lojas em mais de 470 cidades. Quando cheguei ao setor público percebi que as coisas são muito mais lentas, mas também há oportunidades enormes. Em Minas conseguimos reduzir cerca de 50 mil cargos entre administração direta, autarquias e estatais. Revertimos um déficit de R$ 11 bilhões para um superávit de R$ 5 bilhões. Trouxemos gente competente, estabelecemos metas e criamos integração entre secretarias. Aqui não há feudos políticos.

Entrelinhas: O senhor defende classificar organizações criminosas como terroristas?

Zema: Sim. Para mim, crime organizado é organização terrorista. Eles controlam territórios, impedem o Estado de entrar e criam tribunais do crime. Quem vive nas comunidades sofre extorsão em tudo: energia, internet, transporte. O Brasil precisa tratar isso como guerra contra o crime organizado, com ação policial firme e cooperação internacional.

Entrelinhas: Qual será sua estratégia política em Minas Gerais após deixar o governo?

Zema: O vice-governador Matheus Simões assumirá e será nosso candidato ao governo. Fizemos uma aliança entre Novo e PSD. O Partido Novo indicará o vice na chapa estadual e eu estarei apoiando essa continuidade. Para o Senado, também estamos construindo alianças.

Entrelinhas: O que o senhor espera para as eleições legislativas de 2026?

Zema: Estou extremamente confiante. O Partido Novo tem parlamentares muito qualificados e coerentes. Mesmo com uma bancada pequena, já fazemos muito mais do que partidos grandes. Se tivermos 12 ou 15 deputados, já faremos uma diferença enorme no Congresso. O brasileiro está amadurecendo politicamente e aprendendo a distinguir quem faz política séria.

Entrelinhas: O senhor tem preocupação com a lisura do processo eleitoral em 2026, em relação a possível censura, como aconteceu em 2022?

Zema: Sempre existe preocupação quando vemos sinais de tendenciosidade. Mas continuo confiante. Costumo dizer que, se o juiz parece favorecer o adversário, o time precisa treinar ainda mais. Vamos trabalhar em dobro, dormir pouco e nos preparar muito para vencer.

Entrelinhas: Em política externa, qual seria o posicionamento do Brasil em um eventual governo seu?

Zema: Eu já disse que o BRICS, da forma como funciona hoje, parece um Frankenstein. É uma colcha de retalhos de países que têm pouco em comum além de questionar o Ocidente. O Brasil é um país ocidental, com raízes culturais e históricas no Ocidente. Quero proximidade com América do Norte, Europa e países que compartilham valores semelhantes. Isso não significa romper com o Oriente, que é um parceiro comercial importante, mas significa reequilibrar nossa política externa.

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