Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Flavio Quintela

Flavio Quintela

Porto não tão seguro

Eleição americana pode terminar na Suprema Corte dos Estados Unidos. (Foto: Saul Loeb/AFP)

Ouça este conteúdo

8 de dezembro de 2020 é o dia conhecido como “Safe Harbor” para a eleição presidencial deste ano nos Estados Unidos. Esse é o dia final para que os estados apresentem suas certificações eleitorais, tornando os resultados oficiais e dando condição para que os membros do Colégio Eleitoral depositem seus votos no dia 14, votos esses que serão contados pelo Congresso no dia 6 de janeiro de 2021, data em que os Estados Unidos saberão quem será, de uma vez por todas, o próximo presidente.

A interpretação mais aceita do Safe Harbor é a de que o Congresso é obrigado a aceitar os resultados de qualquer estado que tenha certificado seus resultados até esse dia. Alguns juristas adicionam uma condição para que isso seja verdade: desde que não haja uma contestação judicial desses resultados em andamento. E parece ser esse o entendimento do procurador-geral do Texas, Ken Paxton, que entrou com um processo diretamente na Suprema Corte federal contra os estados da Pensilvânia, Geórgia, Michigan e Wisconsin, alegando que os quatro mudaram suas leis eleitorais de forma inconstitucional, criando brechas e mecanismos de fraude ao relaxarem as regras e processos de verificação da integridade dos votos. Diz ele:

Os estados violaram estatutos postos em vigência por suas legislaturas eleitas, violando assim a Constituição. Ao ignorarem tanto as leis estaduais como a federal, esses estados não somente mancharam a integridade do voto de seus próprios cidadãos, mas também do Texas e de cada estado que conduziu eleições dentro da legalidade. (…) Suas falhas em agir pela regra da lei cobrem o resultado da eleição inteira com um manto escuro de dúvida. Nós pedimos agora que a Suprema Corte aja para corrigir esse erro crasso.

Seja qual for o presidente que tomará posse em 20 de janeiro, ele terá de liderar uma nação em crise social

O objetivo de Paxton é que a Suprema Corte julgue que esses quatro estados realmente violaram a Constituição no tocante aos seus processos eleitorais e que, por causa disso, seus votos no Colégio Eleitoral sejam invalidados e desconsiderados na contagem final.

O processo tem poucas chances de ter sucesso e gerar essa reviravolta. Sem os votos desses quatro estados, Joe Biden não chegaria aos 270 (nem Donald Trump), e a eleição seria decidida por votação na Câmara, no sistema de um voto por delegação estadual. No entanto, o próprio fato de o processo ter sido entregue antes do fim do Safe Harbor pode abrir uma brecha para que outras ações em andamento sejam julgadas entre hoje e 6 de janeiro. Há, ainda, uma outra ação sob relatoria do juiz Samuel Alito, que será também o relator do processo de Paxton, com foco apenas na Pensilvânia e nas mudanças de regras que tornaram possível a inclusão de centenas de milhares de votos recebidos depois do dia 3 de novembro, votos esses que garantiram a vitória de Biden no estado, já que a apuração mostrava Trump com liderança tranquila até o momento em que essas urnas começaram a ser abertas.

VEJA TAMBÉM:

A cada dia que passa, Trump tem menos chances de ter sucesso nas contestações e gerar um caminho constitucional para a vitória. Com o país dividido como está, há uma quantidade considerável de americanos que acreditam ter havido fraude eleitoral, ainda mais depois da divulgação de vídeos como o da Geórgia, mostrando oficiais eleitorais abrindo malas ocultas, cheias de votos, e contando-os sem a presença de nenhum fiscal republicano, com o local de apuração já fechado. Seja qual for o presidente que tomará posse em 20 de janeiro, ele terá de liderar uma nação em crise social. O nível de inimizade entre republicanos e democratas, e seus respectivos simpatizantes em todas as esferas sociais, está chegando a um ponto de ruptura. Na semana que passou, jogadores de futebol americano de high school brigaram em campo porque alguns resolveram ajoelhar durante o hino nacional e outros não. Quando garotos de 15 anos se digladiam por causa de política, alguma coisa está muito errada.

Você pode se interessar

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.