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A nova educação é sobre o despertar humano que existe dentro de nós
A nova educação é sobre o despertar humano que existe dentro de nós| Foto: Unsplash, Baim Hanif/Reprodução

Estou neste momento em Salvador, onde fiz a minha primeira palestra presencial depois do início da pandemia. Confesso que estava com muita saudade disso. Quando terminou, fiquei com aquele sentimento: “nasci para fazer isso”. E não tem a ver só com a palestra, conteúdo ou espaço físico, mas muito mais com o contato com o ser humano, com histórias, olhares e sorrisos.

Acredito que o grande desafio da nossa geração não está relacionado a mudar o nosso mindset, e sim sobre mudar nosso feelset. Não é mais sobre a razão, é sobre o sentir e sobre ler nossos corações.

Quando a minha palestra estava terminando, coloquei meus olhos dentro dos olhos de várias pessoas que estavam ali e pude senti-las. É como se abrisse ali um novo canal de comunicação. No momento em que terminei, sentei na minha mesa e olhei ao redor. Cada sorriso para mim resumia dezenas de palavras. Um olhar comovido já me fazia sentir tudo que aquela pessoa queria falar naquele momento.

Tem um verso que diz que os olhos são a janela da alma e, neste período de pandemia, sentir é melhor do que ouvir, e enxergar é mais importante do que abraçar. É uma nova linguagem, mais profunda. É reconectar-se às outras pessoas. Não acredito que existam elementos mais importantes do que este para aprendermos. Será que as escolas ensinam sobre isso?

Vou te contar duas histórias que mexeram comigo e que foram uma aula para mim nestas 24 horas de viagem. A primeira é sobre um amigo que eu não via há mais de 6 anos.

No momento em que embarquei no voo de Campinas para Salvador, senti uma mão puxar minha blusa. Eu estava na poltrona 7D e quando olhei para o lado, ele estava ali, sentado na poltrona 7C, mais envelhecido, mas com o mesmo sorriso generoso. Um amigo especial, que foi um instrumento de uma das maiores transformações da minha vida.

Quando tinha uns 18 anos, este amigo me disse algo que mudou completamente minha história: “Flávio, se você morrer hoje, que falta fará ao mundo? Quantas pessoas vão chorar de verdade a sua perda? Quantas pessoas levarão você para sempre na memória?”.

Confesso que só de escrever isso, meus olhos marejam, porque foram estas palavras que me conectaram ao propósito da minha criação. Foi ali que entendi sobre meu chamado, sobre minha missão, e percebi o cuidado e o amor de um Deus apaixonado e disposto a me fazer ser diferente neste mundo.

Então, você já deve imaginar a alegria que ficamos de nos encontrarmos e de saber que ainda teríamos mais de 2 horas de papo neste voo. Este meu amigo, que lá atrás me ensinou sobre valores, princípios e sobre a alma, me disse uma vez que se seus olhos forem bons, todo seu corpo será luminoso e sua alma irá brilhar.

Durante a conversa, fui percebendo que aquela alma que conheci anos atrás não estava mais ali. Ele está envolvido com política e durante toda nossa conversa o ouvi sobre o que fazia. Confesso que minha alma entristeceu, pois vi ali um misto de frustração, dor e medo, tudo isso canalizado no desejo de ser importante, sem se importar com os meios.

O ouvi atentamente, coloquei ali meu coração e fui aprendendo muitas coisas, sentindo o quanto a vida é um desafio. Vivemos em ciclos e fases, e vamos nos aprimorando ao longo delas, mas tem algo que não podemos perder nunca nesta vida, não importa sua fase ou seu ciclo, que são nossos valores e princípios.

Veja, valores são suas crenças pessoais, é aquilo que aprendemos desde criança com nossos pais. É sobre o valor humano, sobre generosidade e altruísmo. É sobre a coragem de sermos quem somos. Seus valores permeiam sua história e são parte importante do seu legado. Seus princípios são sobre o que vem em primeiro lugar para você. É sobre escolhas, é mais moral, é sobre ser honesto, transparente e verdadeiro. Quando você abre mão deles, você abre mão de mais coisas que talvez não perceba, você perde o brilho da sua alma. E ali, estava vendo uma alma sem brilho.

Queria uma escola que ensinasse sobre isso. Queria uma educação que desse aos meus filhos a percepção sobre o valor da sua alma. Aprendi com este meu amigo sobre a importância de não desviar o meu olhar daquilo que realmente importa. Ao final, chegando em Salvador, dei um abração apertado nele, quase como uma oração sem palavras. Desejei que ele resgatasse aquela alma que um dia me resgatou.

Vamos para a segunda história. Chego no local da minha palestra e, como sempre, vou lá na coxia preparar meu computador para a apresentação. Sempre dá alguma coisa errada, mas ali não, pois deu tudo certo. O Zé Ricardo, responsável pelo audiovisual, era incrível, muito generoso, simpático e muito competente. Em poucos minutos me acolheu e deixou tudo funcionando. Saí dali e fui elogiá-lo para os organizadores do evento. Lembro que falei: “Este rapaz que cuida do audiovisual é diferenciado, hein”.

Quando terminei minha palestra, tive aquele momento de conversa com os olhares, lembra? Logo depois, voltei lá na coxia para pegar meu laptop, e o Zé Ricardo estava emocionado. Ele me disse que ficou muito tocado com a minha palestra e começou a contar sobre sua história.

É uma história de superação, desafios, privações, mas ao resumir sua história, ele me diz uma coisa profunda: “Mesmo com tantos desafios na minha vida, eu nunca, nunca deixei de lado o que era mais importante para mim: meus filhos e minha família”. Ele tem um casal de filhos, um menino de 11 anos e uma menina de 13 anos.

Eu respondi que achava lindo ele se portar assim, perguntei se seus filhos não estavam dando mais trabalho por causa da idade, e olha o que ele me respondeu: “Meus filhos nunca me deram trabalho, porque o trabalho que deram foi a forma de Deus nos tornar mais unidos. Eles ainda são meus bebês, chego em casa todos os dias e me sento no chão para brincar com eles. Temos sessão de cinema em família em casa duas vezes por semana, cada dia um escolhe o filme. Ainda coloco meus filhos para dormir e conto histórias pra eles. Eu sonho junto com eles os sonhos deles. Minha esposa e eu não abrimos mão de ter tempo dedicado a eles, que ainda preferem nós do que seus amigos. Levamos seus amigos em casa e fazemos brincadeiras todos juntos.”

Confesso que já estava com os olhos marejados. Olhei fixamente nos olhos do Zé e dei o maior abraço sem tocar alguém que já dei. Ele entendeu tudo, sacou tudo antes de mim. Minha palestra é sobre a vida do Zé. Se em terra de robô quem tem coração é Rei, o Zé reina neste mundo.

Educação não é sobre o que professores, gurus ou experts digitais te ensinam. A educação acabou, porque agora é a era de aprender com a vida, de conectar seu coração nos seus encontros e desencontros. É hora de perceber o quanto os Zés que existem por aí, os que podem nos ensinar sobre novos portais e abrir dimensões que a velha educação jamais conseguiria.

A nova educação é sobre o despertar humano que existe dentro de cada um de nós. Então, acorde, desperte para um novo mundo de sentimentos e propósitos, e lembre-se: seus olhos são a janela da sua alma.

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