Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Gabriel Sestrem

Gabriel Sestrem

Vida em Família

Bode ou ovelha: o caráter que você escolhe e a família que constrói

Ovelha e bode família
Com diferenças marcantes de comportamento, ovelhas e bodes têm muito a ensinar sobre caráter e vida em família (Foto: Freepik)

Ouça este conteúdo

Gastar alguns minutos observando a natureza costuma render ensinamentos interessantes. É incrível como a sabedoria divina deixou um leque de aprendizados que não estão necessariamente nos livros ou nas salas de aula.

Um dos meus textos recentes que teve maior repercussão foi sobre as lições preciosas sobre família que um simples joão-de-barro dá, de graça. Também no meu livro sobre paternidade, falei sobre como pais podem se tornar referências morais e afetivas únicas na vida dos filhos observando como cães pastores lidam com o rebanho.

E, nessa semana, me chamou a atenção o quanto se pode aprender com o comportamento de ovelhas e bodes, animais que frequentemente são confundidos como “a mesma coisa”.

Os ovinos (ovelhas e carneiros) e os caprinos (bodes e cabras) costumam ser criados juntos, mas têm diferenças de comportamento bem marcantes. As ovelhas andam em grupo e seguem lideranças com naturalidade, seja a do pastor ou a do cão pastor. Vivem sob uma hierarquia estável, com poucos confrontos, e têm um comportamento mais harmonioso e cooperativo.

Esse comportamento é o oposto dos bodes, que são menos adeptos do coletivo e mais guiados pelos próprios impulsos. Os bodes têm comportamento conflitivo, e sua hierarquia é instável e marcada por disputas constantes. Em um pasto, não é raro ver o bode empurrando os outros para chegar à melhor parte do alimento.

Mas há um traço de comportamento que contrasta ainda mais ovinos e caprinos: bodes simplesmente se recusam a obedecer a autoridades. Se você tentar guiar um deles, é muito provável que ele te encare ou, o mais provável, tente dar uma cabeçada.

O contraste é tão fascinante que a própria Bíblia usa essa simbologia diversas vezes. O ápice está no termo "Cordeiro de Deus", remetido a Jesus Cristo na simbologia da ovelha. Já a figura do bode se tornou um dos símbolos do satanismo, representando a exaltação da autonomia absoluta e o questionamento da autoridade divina.

Jesus foi muito direto sobre isso quando disse que, quando vier o Julgamento, Ele irá separar as pessoas como o pastor separa as ovelhas dos bodes, e colocará as ovelhas à sua direita e os bodes à sua esquerda. “E estes [os que ficarem à esquerda] irão para o castigo eterno, mas os justos para a vida eterna". (Mateus 25:46)

VEJA TAMBÉM:

Mas o que isso tem a ver com família?

Tudo. A rebeldia e a “natureza indomável” típicas do bode podem ser tentadoras, mas são um veneno poderoso para dar fim a casamentos e afastar os filhos dos pais e os pais dos filhos.

Quando mencionei o comportamento positivo das ovelhas de seguir um líder, me referi a reconhecer uma referência moral, o que pode ser diferente para cada um. Como cristão, minha bússola é o Evangelho, e eu seria hipócrita se cresse nas sagradas escrituras e não me adequasse ao que elas propõem.

Pode ser que para você haja outra referência, mas os fundamentos provavelmente serão parecidos. A base moral da civilização ocidental foi profundamente moldada pelo cristianismo, que influenciou a dinâmica do comportamento humano ao priorizar, por exemplo, o amor, o perdão e a autocontenção de alguns instintos como virtude superior à satisfação dos impulsos de rebeldia, vingança e força.

Agir como uma ovelha significa, acima de tudo, saber ouvir a voz do Pastor. Se você não crê em Deus, essa voz pode ser um conjunto de valores éticos, mas é importante ser absolutamente fiel a eles.

Vale dizer que apreciar a conduta da ovelha não significa ser passivo e inofensivo. Para proteger sua família, por exemplo, você precisa saber usar a força e ser capaz de usá-la se/quando for preciso – recentemente escrevi sobre um abusador de crianças que confessou que escolhia os alvos quando percebia que seus pais não representavam uma ameaça.

O ponto é que a rebeldia gratuita tende a causar inúmeros problemas, e usar agressividade fora de contexto só tende a atrair problemas desnecessários, para si e para sua família.

Imagine que após um dia estressante, um pai de família resolve descontar o estresse no trânsito. Acaba arrumando uma briga sem propósito com outro motorista e seu carro sofre um dano na lataria. Essa, que é uma das consequências mais leves de uma briga de trânsito, vai gerar incômodos a toda a família.

Gasto financeiro com o conserto; vários dias sem carro; estresse pela situação com grandes chances de gerar brigas entre o casal... Tudo isso pela falta de capacidade de domar os instintos. Assim como o bode, lembra?

Outro padrão de comportamento típico do arquétipo do bode está no que se tornou hoje o feminismo. Mulheres agressivas e rebeldes contra tudo e contra todos, que exaltam a insubmissão generalizada e não abaixam a cabeça para nada. Quanto ao coletivo, frequentemente apoiam mais outras mulheres do que a própria família.

É interessante que muito do que ativistas feministas criticam nos homens – algumas vezes com razão – passa a ser correto e mesmo digno de admiração quando é uma mulher que faz. Uma mulher agressiva? Empoderada. Recusa-se a fazer qualquer atividade doméstica? Moderna. Sai todo dia depois do trabalho e tem casos extraconjugais? Independente.

Cercas que seguram ovelhas não seguram cabras

Em resumo, quem não tem uma bússola moral consistente para seguir, cria problemas para si e para os outros. Porém há aqueles que tem uma referência moral, e não a seguem. É o caso do religioso que vai à igreja, mas não vive nada do que pratica. Ele conhece tudo, mas se recusa a obedecer. Ou seja, mesmo sendo um religioso, é muito mais bode do que ovelha.

A resistência em obedecer a princípios que só trazem benefícios, mesmo quando somos contrariados em nossos desejos ou impulsos, tem a ver com a dificuldade em viver sob limites. E a natureza mostra isso: cercas que seguram ovelhas dificilmente seguram cabras.

Pode ser tentador se ver como alguém que não é retido por cercas, que é livre para fazer o que quiser a hora que bem entender. Mas quando falamos da moral, ao fazer tudo o que se deseja sem pensar em consequências, o dano é certo.

Foi com esse pensamento que tantos pais e mães caíram em vícios destrutivos como drogas, pornografia, adultério, apostas, crimes, e deixaram os filhos sofrerem o pior prejuízo. É o bode mirando os chifres nos próprios filhotes.

A grande questão é que a desobediência não só leva a diferentes tipos de danos, mas a uma outra cerca, que não é a do cuidado, mas a da prisão. Por outro lado, a “cerca moral” preserva da autodestruição.

Perceba que o grande mérito no comportamento da ovelha está mas na rara capacidade de obedecer à voz do Pastor. Quando uma delas se perde do rebanho, aguarda o pastor encontrá-la. Já o bode foge sozinho ou em pequenos grupos, ficando de fora da proteção do rebanho.
Apesar de ser briguento e usar os chifres, o bode não é páreo para predadores maiores. Ou seja, sua insubmissão o torna um alvo fácil.

Mesmo que o orgulho o tente a ver o bode como um animal digno de admiração, lembre que a sabedoria bíblica colocou ovinos e caprinos em lados opostos. Cada um escolhe o tipo de conduta que prefere seguir, e a partir daí colhe os resultados dessa escolha.

É aquela história da lei universal da semeadura: você é livre para escolher a semente que preferir, mas a colheita é obrigatória – seja ela boa ou ruim. Faça sua parte!

VEJA TAMBÉM:



Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.