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Gabriel Sestrem

Gabriel Sestrem

Paternidade

“Se eu pudesse voltar no tempo”: o que a velhice ensina sobre ser pai

Como ser pai paternidade
Cinco pais experientes – quatro deles já bisavôs – ensinam sobre paternidade (Foto: Dall-E/Gazeta do Povo)

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Sábio não é quem tem todas as respostas, mas quem sabe onde buscar conselho e orientação. E quando o assunto é paternidade, a prática frequentemente supera a teoria.

Já diz a Bíblia que “sem direção sábia o povo cai, mas com muitos conselheiros há segurança” (Provérbios 11:14). Mas não é qualquer conselheiro: há um filtro rigoroso nas Escrituras sobre quem deve e quem não deve influenciar suas decisões.

Por isso decidi conversar com cinco pais experientes – quatro deles já bisavôs – e fazer a cada um as seguintes perguntas:

  • Qual atitude sua como pai você acredita que mais fez diferença positiva na vida dos seus filhos?
  • O que você faria diferente na criação deles se pudesse voltar no tempo?
  • Se pudesse dar um conselho para pais de crianças pequenas, qual seria?

Abaixo trago alguns dos principais aprendizados a partir dessas conversas com homens de carne e osso, que acertaram, erraram, aprenderam pelo caminho, mas que acima de tudo permaneceram ao lado dos filhos durante toda a vida.

Tempo que não volta

Praticamente todos disseram que, se pudessem voltar alguns anos, a prioridade seria ter passado mais tempo com os filhos. “Trabalharia um pouco menos pra ficar mais com minhas filhas”, disse um deles.

É interessante que todos mencionaram a importância do trabalho para o sustento, mas ponderaram sobre o equilíbrio para que sobre tempo de qualidade para os filhos.

“Sobre isso, é fundamental aproveitar muito bem o tempo disponível e dedicar o máximo possível para o bom crescimento deles. No meu caso, saía cedo para trabalhar e voltava à noite, quando todos já estavam dormindo. No dia seguinte saía quando ninguém tinha acordado ainda. Sobravam os fins de semana e os períodos de férias, e nesses momentos ficava o tempo todo com eles”, disse o mais experiente do grupo de entrevistados, com seus 86 anos.

“Doaria muito mais do meu tempo para conviver com eles. Não pensaria só na vida profissional”, afirmou outro.

“Criar um filho é um projeto de longo prazo que não aceita ‘retrabalho’. Embora a estabilidade financeira seja uma forma legítima de cuidado, ela não substitui a presença emocional. O grande desafio para os pais de hoje é entender que o sucesso profissional não compensa o fracasso no lar”, continuou.

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Coragem para dizer “eu te amo” ao filhos

Falo muito nesta coluna sobre a importância de que todo pai invista na conexão afetiva com os filhos. A capacidade de fazer com que eles sintam todos os dias que são amados incondicionalmente foi lembrada nos conselhos.

Entre os entrevistados, tive a oportunidade de conversar com dois grandes amigos de infância do meu pai, já falecido. Um deles falou sobre a diferença entre amar e demonstrar amor. Amor paterno silencioso é equivalente à omissão. Não basta amar – os filhos precisam saber claramente que são amados.

“Dizer ‘eu te amo’ é demonstrar amor. E isso às vezes é muito difícil. É mais fácil a gente não falar, mas na nossa casa nunca teve isso. Lá, o amor é constante no nosso palavreado”, disse.

“Se eu pudesse dar um conselho, seria: nunca deixe de dizer ‘eu te amo’ para seus filhos. Isso também é importante ser dito para a esposa, para a família toda. O amor é feito de gestos, mas ele também precisa ser falado”, prosseguiu.

Uma ponderação que dois deles fizeram: faz parte do amor o ensino e a correção. Um amor que não comporta o ensino de questões como responsabilidade, disciplina e obediência a hierarquias também é falho.

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Dimensão espiritual da paternidade

A dimensão espiritual também apareceu nas conversas, trazida por quatro dos cinco entrevistados.

“Um dos pontos mais importantes é trabalhar a fé em Jesus Cristo e ensinar a viver conforme os ensinamentos dele. Encontrar força e segurança no amor maior que foi dado para todos nós é essencial, porque a vida, em vários momentos, nos coloca à prova e nos testa muito. Então essa fé é algo que nos conforta, nos suporta e nos dá perspectivas”, disse um deles.

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O que só a experiência de ser pai ensina

Quando estamos profundamente envolvidos no dia a dia da construção de uma família, é difícil dar um passo atrás e observar racionalmente o que, em nossa missão de paternidade, está indo bem e o que precisa de atenção.

Um dos entrevistados trouxe esse ponto: responder às perguntas significou olhar a criação de filhos com outra mentalidade, a de quem já aprendeu muito com acertos e erros e que hoje faria as coisas de forma diferente.

“Hoje eu consigo analisar de outra forma. Claro que eu faria muitas coisas diferentes, mas eu entendo que a paternidade faz a pessoa amadurecer. No dia a dia a gente deixa muito as coisas correrem naturalmente, mas isso é bom até certo ponto. Em muitos momentos a gente acaba não observando de fato o desenvolvimento deles”, disse.

“Então, se eu pudesse voltar no tempo com a experiência que eu tenho hoje, eu aproveitaria melhor o dia a dia, seja em uma ida ao supermercado, uma viagem, nos afazeres de casa... Eu observaria o crescimento das minhas filhas de forma um pouco mais cuidadosa”, continuou.

Em resumo: se na paternidade há coisas que só a experiência ensina, aprender com quem já trilhou esse caminho — e aplicar esses aprendizados — vale ouro. Faça sua parte.

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