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como as tendências na internet aumentam o risco de investimentos e ajudaram a causar o inverno cripto
Como as tendências na internet aumentam o risco de investimentos e ajudaram a causar o inverno cripto| Foto: Unsplash, Kanchanara/Reprodução

O inverno das criptomoedas tem preocupado investidores do mundo inteiro. O que antes era considerado a maior oportunidade para ganhar dinheiro jogando ou trocando entre moedas digitais, sem a interferência de órgãos governamentais, hoje passa por um período de desvalorização profunda.

Uma das principais patologias da nossa Era, acompanhada da ansiedade, é o Fear of Missing Out – medo de ficar de fora. Ele nasceu da rapidez com a qual as coisas mudam no ambiente digital e provoca o pavor nos usuários pela possibilidade de não conseguir acompanhar as mudanças em tempo real. O investimento em criptomoedas catapultou essa sensação para milhões de pessoas.

Afinal, quem não quer ganhar dinheiro fácil? Se uma pessoa conhece alguém que está lucrando com um investimento em cripto, a hipótese de perder a chance de acompanhar é apavorante. Para este usuário, todas as pessoas do mundo estão ficando milionárias no mercado cripto, menos ele. Na verdade, não é bem assim.

Existem diversas plataformas gestoras de investimentos em criptomoedas. Ultimamente temos visto algumas delas quebrarem, causando perdas para  milhões de pessoas. No entanto, isso tem acontecido com aquelas que prometiam grandes retornos em um curtíssimo período de tempo aos seus usuários – exatamente o tipo de investimento que pessoas inexperientes acabam entrando, por pura ansiedade e medo de perder grandes oportunidades com pesquisa e o devido preparo.

Essas plataformas trabalhavam com o conhecido "esquema de pirâmide" – com formatos inovadores mas, em finanças, a essência da transação sempre se sobrepõe à forma. Quanto mais investidores entram, o capital investido é repassado entre o restante dos usuários. Quando algo dá errado, a plataforma não consegue se manter e os lucros não existem mais.

O inverno das criptomoedas é causado por uma série de questões e o quadro econômico mundial e a guerra na Ucrânia são duas delas. A alta da taxa de juros, feita para tentar reduzir os efeitos da inflação, dá mais retorno a investimentos conservadores, reduzindo a atração pelo investimento em risco. Por isso, muitos sacaram seu dinheiro em cripto para aproveitar os juros altos em tesouro direto e outras carteiras de investimento tradicionais.

A queda de valor ocasionada por essas retiradas causou pavor nos investidores amadores do ambiente digital, que também removeram seus investimentos. Isso aumentou ainda mais a queda das cotações. A quebra da Terra - Luna foi um exemplo claro desse movimento.

Essa tendência também abalou criptomoedas mais fortes, como Bitcoin e Etherium. Infelizmente, devemos observar a retomada de suas cotações ao longo dos próximos dois anos. É essencial que a economia global se fortaleça e o investimento em cripto volte a ser vantajoso para que isso aconteça.

No entanto, existe um ponto positivo do inverno cripto: passar por dificuldades traz maturidade ao mercado. Daqui para frente, esperamos que esquemas de pirâmide sejam combatidos e que as comunidades de criptomoedas passem pela regulação dos órgãos competentes dos países onde são criadas. No caso brasileiro, Banco Central (BACEN) e Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Isso não significa que as criptomoedas serão centralizadas como moedas tradicionais. Mas a regulação tem o potencial de conferir segurança e mais previsibilidade para investimentos no ambiente virtual – evitando que novos invernos ocorram no futuro.

* Florêncio Ponte Cabral Jr. é CEO da Virtus Automation & AI, startup que trabalha com soluções personalizadas de inteligência artificial e automação, com o objetivo de democratizar o acesso a essas tecnologias para micro e pequenas empresas. Contador com MBA em Finanças, Controladoria e Auditoria pela FGV e em Estratégias de Investimentos e Políticas Públicas pela Universidade de Chicago, Engenheiro da Computação pela FIAP e Cientista de Dados pela USP.

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