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De Smart Cities para Smart Nations: uma visão ampliada do conceito
De Smart Cities para Smart Nations: uma visão ampliada do conceito| Foto: Pexels, Nicolae Casîr/Reprodução

Uma cidade inteligente é aquela que utiliza tecnologias inteligentes e conectadas em rede para nos apoiar na vida diária. Elas nos permitem economizar tempo, utilizar novas formas de mobilidade e, até mesmo, respirar um ar um pouco mais limpo. Em poucas palavras, as tecnologias no centro de uma cidade inteligente trabalham para melhorar a qualidade de vida de seus cidadãos. Menos engarrafamentos, mais segurança, promoção do crescimento econômico por meio do incentivo ao ecossistema de inovação e startups, casas inteligentes e uso de edifícios com eficiência energética, são apenas alguns dos benefícios tangíveis.

Além de dimensões relacionadas à mobilidade urbana, sustentabilidade, empreendedorismo, educação, saúde e segurança, as smart cities também se utilizam dos dados gerados nas cidades para melhorar questões relacionadas a planejamento e governança. Uma gestão pública que tem como base a utilização de dados para tomadas de decisão, certamente terá mais eficiência, economicidade e assertividade.

Há pelo menos uma década, defendo uma visão ampliada do conceito de cidades inteligentes. Certamente, todas estas aplicações do conceito podem ser replicadas e adaptadas para governos estaduais e federais, tornando-os smart governments e smart nations.

Selecionei exemplos de alguns países que já estão trabalhando o conceito de “Smart Nations” na esfera federal:

Reino Unido

Desde 2015, o Reino Unido possui o Government Digital Service (GDS). O objetivo do GDS é fazer serviços públicos para a população mais simples, eficientes e rápidos. São exemplos o Carer´s Allowance (subsídio para cuidadores), Make a Lasting Power of Attorney (sistema de procuração online), Book a Prison Visit (agendamento de visita à prisão) e Register to Vote (registro para votação).

Os números publicados são impressionantes: em apenas um ano, o GDS ajudou o governo a economizar 1,7 bilhão de libras por meio da transformação digital.

Estônia

Clássico exemplo quando pensamos em “Smart Nations”. O país é um dos mais avançados do planeta na questão das identidades digitais e no uso da tecnologia no governo. Todos os serviços públicos do país estão online. Aberturas de empresas, dados, receitas médicas e prontuários de pacientes são digitais, as escolas utilizam serviços online e toda a relação entre governo e cidadãos ocorre pela internet, gratuitamente e em tempo real.

Possui o programa e-residentes, em que convida qualquer pessoa no planeta a se tornar um usuário dos serviços do governo estoniano. É o primeiro caso do mundo de government as a service (governo como serviço).

Índia

A Índia desenvolveu o Aadhaar, identidade digital que consiste em um número único atribuído a cada cidadão que é conjugado com um sistema de identificação multifatorial, baseado em elementos como biometria (digitais e íris).

Israel

Israel se autointula Startup Nation. O termo Nação Startup, traduzido para o português, foi título do livro de 2009 de Dan Senor e Saul Singer sobre a nova economia de Israel. Com mais de 6.500 startups em uma população de 8,5 milhões, Israel lidera a lista de startups per capita. Além disso: depois dos EUA, Israel tem o segundo número de empresas de tecnologia mais listadas na Nasdaq.

Há muitos bons exemplos. Um dos sistemas de navegação mais inovadores do mundo é o Waze de Israel. Outro exemplo impressionante: OrCam - um pequeno dispositivo que ajuda deficientes visuais e cegos a ter acesso a textos e imagens por meio de áudio de tradução em tempo real, o que promove independência em suas rotinas diárias. Dispositivo que, por sinal, está disponível nas bibliotecas públicas do Paraná.

E o Brasil? Bom, esta é uma conversa para outro artigo, mas, indubitavelmente, nosso país vem apresentando grandes avanços nas diversas dimensões relacionadas ao conceito.

Cidade inteligente, Governo Inteligente ou Nação Inteligente significa não apenas projetar cidades, estados ou países de forma mais significativa – tanto econômica quanto ecologicamente – mas, acima de tudo, significa melhorar a vida cotidiana das pessoas. Mais do que pensar em tecnologias temos que pensar em decifrar os problemas das dimensões que cercam o conceito e buscar vencer as burocracias para termos efetivamente a aplicabilidade prática das soluções.

*André Telles é autor de cinco livros relacionados à tecnologia e inovação; Diretor de inovação da Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing (ADVB-PR); Vice-presidente de Smart Cities da Associação Brasileira de Internet das Coisas (ABINC); e Assessor de Inovação da Companhia Paranaense de Tecnologia (Celepar).

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