Como você se sentiu com essa matéria?

  • Carregando...
  • Ícone FelizÍcone InspiradoÍcone SurpresoÍcone IndiferenteÍcone TristeÍcone Indignado
WhatsApp Pay possibilita a transferência de valores no aplicativo.
A tecnologia bilionária está oferecendo um novo serviço que pode aumentar ainda mais o seu valor de mercado.| Foto: Benjamin Dada/Unsplash

Quando eu vi o filme “A Rede Social”, que é baseado na criação do Facebook, uma das cenas que mais me chamou a atenção foi o jantar em que participavam Mark Zuckerberg (Jesse Eisenberg), Eduardo Saverin (Andrew Garfield) e Sean Parker (Justin Timberlake). A grande discussão entre Zuckerberg e Saverin era a mesma que muitas startups têm nos dias de hoje: quando monetizar? Para Parker, monetizar com anúncios no início do negócio seria como terminar uma festa legal às 22h.

Este é um problema que atinge a maior parte das empresas que eu conheço. A premissa do funcionamento de um negócio é que ele tenha uma quantidade de receitas que permitam a ela pagar suas obrigações com seus funcionários e que possam investir em patrimônio como computadores, imóveis, aplicações financeiras, filiais, entre outros.

O WhatsApp foi fundado em 2009 e praticamente sem gerar receita foi vendido para o Facebook por US$ 16 bilhões cinco anos depois. Veja bem: a empresa era um verdadeiro ralo de recursos financeiros. Durante cinco anos foram investidos milhões de dólares em pessoas, computadores, servidores e softwares. Como pode uma empresa que tem prejuízos de milhões de dólares valer tanto dinheiro?

A resposta: tendo usuários. A partir do momento que a empresa possui milhões de usuários que geram uma imensa quantidade de dados, você pode conhecê-los e pensar em formas de oferecer serviços que façam sentido para eles - e aí sim gerar receitas. É como diz uma frase comum no mercado de inovação e tecnologia: “dados são o novo petróleo”.

Após dez anos dando prejuízos mas crescendo a sua base de dados exponencialmente, o WhatsApp finalmente lança um produto que deverá lhe gerar bilhões facilitando ainda mais a vida do usuário. Muitas pessoas fazem vendas por WhatsApp conversando com seus clientes, mandando fotos dos produtos, negociando preços e condições. Quando o negócio é fechado, cria um boleto, manda um link para pagamento com cartão de crédito ou envia os dados bancários para depósito.

Agora, este processo ficará mais simples: fechado o negócio, o vendedor manda uma cobrança para o comprador, que com poucos toques vai autorizar a transferência, feita de forma automática e com taxa de serviço para as empresas (contas pessoais serão gratuitas).

O mais interessante é que isso é lançado exatamente em um momento de crise sem precedentes, na qual as pessoas buscam novas e melhores alternativas para suas necessidades - demonstrando que as crises são aceleradoras das mudanças que podemos criar.

Nos últimos projetos que participei, sempre fui embaixador deste modelo de negócios. Dizia para oferecermos nossos produtos gratuitamente, aumentar a nossa base de clientes, conhecê-los e depois criarmos formas de monetizar. Sempre fui voto vencido. Uma delas, com a atual crise, lembrou da sugestão que eu havia feito há alguns meses e lançou um produto de forma gratuita. Em seguida, divulgou que teve a adesão de meio milhão de alunos.

No Brasil, é muito difícil encontrar investidores dispostos a fazer aportes de muito dinheiro, durante muito tempo em algo que tem a geração de dados como seu maior objetivo por uma série de motivos que merecem um artigo específico.

Voltando à analogia do petróleo: primeiramente, as empresas devem extrair o petróleo do solo. Mas ninguém compra petróleo bruto. Com o petróleo bruto em mãos, se entende quais derivados deverão ser produzidos para atender as necessidades dos clientes.

E na tecnologia não é diferente. Primeiro as empresas investem na extração de dados para depois interpretá-los e entender quais produtos fazem sentido para os clientes. As maiores empresas do mundo (Google, Facebook, Amazon, etc) estão aí para provar que este modelo não somente funciona, mas é o que dá os melhores retornos nos dias de hoje.

*Bruno Dreher é consultor, palestrante, especialista em inovação pela Universidade Hebraica de Jerusalém, membro da World Futures Studies Federation (Paris, França) e World Future Society (Chicago, EUA).

Deixe sua opinião
Use este espaço apenas para a comunicação de erros

Máximo de 700 caracteres [0]