Depois de Lula ter dito, num evento, que pobre não nasceu pra estudar, só pra trabalhar, não chega a ser surpresa a notícia de que o Ministério da Educação reduziu drasticamente os investimentos em alfabetização de crianças e no ensino integral, que praticamente foi deixado de lado. Neste vídeo, a jornalista Cristina Graeml lembra como o governo Bolsonaro tratava a educação infantil e faz comparações entre Lula 2024 e Lula 2025, quando o ensino infantil passou a ser desprezado no orçamento do MEC.
Análises recentes sobre a gestão do Ministério da Educação (MEC) apontam uma mudança drástica nas prioridades orçamentárias do governo Lula, com cortes severos na educação de base em contraste com altos investimentos em programas de transferência direta para estudantes mais velhos. O cenário levanta debates sobre o impacto de longo prazo na alfabetização infantil e as motivações políticas por trás dessas escolhas financeir.
Cortes drásticos na base educacional
De acordo com dados levantados, o governo federal reduziu em 42% os gastos com alfabetização no último ano, caindo de R$ 791 milhões para R$ 459 milhões. A situação é ainda mais aguda no ensino em tempo integral, em que o investimento despencou de R$ 2,5 bilhões para apenas R$ 75 milhões. Essa redução é vista como um abandono da possibilidade de manter crianças por mais tempo em ambiente escolar, uma estratégia amplamente defendida para o desenvolvimento educacional.
Em contrapartida, o governo instituiu o programa "Pé de Meia", focado em estudantes do ensino médio que já possuem idade para votar. Com um custo anual de R$ 12 bilhões, o programa distribui auxílio financeiro para evitar a evasão escolar. Críticos argumentam que o recurso para sustentar o "Pé de Meia" foi retirado justamente da alfabetização e do ensino integral, após o Tribunal de Contas da União (TCU) exigir que o programa fosse incluído no orçamento do MEC para evitar "pedaladas fiscais".
Contraste de gestões e prioridades
A descontinuidade de políticas da gestão anterior é um marco dessa mudança. Logo no primeiro dia de governo, em janeiro de 2023, foi extinta a Secretaria Nacional de Alfabetização, que havia sido criada em 2018. Essa secretaria foi responsável pela distribuição de livros infantis via Bolsa Família e pela criação de materiais de apoio e treinamentos online para pais durante o período de fechamento das escolas na pandemia.
Enquanto os recursos para a educação infantil minguam, outros gastos do governo federal permanecem elevados. As despesas com viagens presidenciais e de sua comitiva, por exemplo, somaram R$ 1 bilhão no último ano.
Impacto social e narrativas políticas
A opção por investir em estudantes do ensino médio em detrimento das crianças pequenas é interpretada por analistas como uma estratégia para dialogar com o eleitorado jovem. O argumento governamental de que o bônus financeiro é a principal ferramenta contra a evasão escolar é contestado pela existência de outros métodos comprovados, como a melhor remuneração de professores, infraestrutura atrativa e oficinas profissionalizantes.
O desprezo pela alfabetização contradiz a retórica de preocupação com as camadas mais pobres da população, uma vez que a educação de base é essencial para romper ciclos de vulnerabilidade. Diante desses números, reforça-se a necessidade de vigilância sobre a aplicação do dinheiro público e a real prioridade dada ao futuro das crianças brasileiras.




