
Domingão se arrastando, hora do almoço passando, e eu fiz aquilo que você deveria fazer também: consultei o Mapa da Baixa Gastronomia, em busca de uma alternativa aos sanduíches de isopor que sempre nos espreitam quando o assunto é comer em horas exóticas.
Olhando as várias dicas, achei que já tinha passado da hora de ver direito o Costelão do Amantino, um dos marcos fundadores do Mapa da BG que – Vergonha! Vergonha! – eu ainda não conhecia. Mesmo estando encravado no coração do trecho dos restaurantes de Santa Felicidade, com todos os engarrafamentos e buzinas já incluídos no passeio, valia a empreitada.
Chegando lá, a primeira boa impressão: ao contrário de outros costelões cheios de neon e de lindas estátuas tipo greco-romanas, o Costelão do Amantino é uma entrada semi-secreta, uma portinha discreta, fácil de perder, ainda mais para um haole como eu, que só de pensar no trânsito gigantesco e nas fachadas estilo Cinecittà de Santa Felicidade acabo, muitas vezes, achando que o melhor negócio é ficar em casa.
Ainda bem que desta vez eu não fiquei. Mesmo chegando bastante tarde (umas 14:30) ao salão pequeno, o atendimento foi excelente. Por conta do horário, algumas carnes já estavam em falta, mas o filé que pedimos mais do que deu conta do recado. Também aproveitamos que os acompanhamentos podem ser repostos à vontade pra mandar vir umas quatro porções de uma das polentas mais incríveis já experimentadas por estas paragens.
Seguindo o costume de Santa Felicidade, a polenta era feita com fubá branco. Perguntei se era verdade aquele negócio de polenta amarela ser ração para os porcos e o Edson, filho do seu Amantino original e atual proprietário do Costelão, explicou que o motivo real de usarem o fubá branco é o fato dele ser mais fino e funcionar melhor para servir frito na panela de ferro, como eles fazem lá no Amantino. “A polenta amarela fica muito massuda, pesada”, ele contou.
Funcionando no mesmo endereço e no mesmo esquema “porta secreta” desde 1965, o Costelão do Amantino passou, claro, por algumas reformulações nestes quase cinquenta anos (como o salão, que foi ampliado) mas nunca deixou de ser um restaurante familiar – tanto na clientela quanto no funcionamento.
“Antes, era só a família que tocava o negócio. Quando colocamos garçons para atender a freguesia, teve gente que ficou desconfiada”, nos contou o Edson. “Às vezes, chegavam a me perguntar se o Costelão do Amantino ainda era ‘mesmo’ do Amantino”.
Infelizmente, eu não conheci o Costelão no seu formato original. Mas julgando pelo domingo passado, garçons atenciosos, comida farta e as carnes sendo preparadas pelo próprio dono do lugar, não tive a menor dúvida de que o Costelão é “mesmo” do Amantino.
——————
Serviço
Costelão do Amantino
Av. Manoel Ribas, 6047 – Santa Felicidade (verifique a localização no Mapa da Baixa Gastronomia)
(41) 3272-4165
Aceita cartões
Jantar de terça a sábado, das 18:30 às 22:30. Almoço de quarta a sexta, das 11:30 às 14:00 (sábados e domingos até 15:00)
————-
Mapa da Baixa Gastronomia | E-mail | Twitter | Página do Facebook




