
Ouça este conteúdo
A imprensa continua achando que pode fazer o público de bobo. Vários veículos considerados relevantes no panorama da mídia brasileira publicaram um ranking de democracia divertidíssimo, segundo o qual o Brasil superou os EUA como sociedade democrática.
“Brasil supera EUA em ranking mundial de democracia pela 1ª vez”, noticiou o UOL. TV Globo e outros grandes veículos repetiram a “notícia” — assim mesmo, como verdade. O “estudo” do Instituto V-Dem, da Universidade de Gotemburgo, na Suécia, é apresentado nas manchetes como uma conclusão matemática.
Seria interessante um outro estudo (sério) para aferir que percentual do público embarca numa coreografia dessas. Claro que o jogo é aquele de investir na desumanização de Trump e no embelezamento de Lula. Mas quanta gente ainda embarca nessa dramaturgia criativa? Quantos ainda acham que sociologia é uma tirada do Wagner Moura no tapete vermelho?
“Qualidade democrática brasileira supera a americana em movimento inédito na história do V-Dem”, escreveu a “Folha de S. Paulo”. Em lugar de “americana”, deveria ter escrito “estadunidense”, para ficar mais de acordo com os manuais da propaganda revolucionária de grêmio estudantil. “Qualidade democrática” provavelmente se mede pela quantidade de ditaduras que o governo apoia. Ou pela cumplicidade com eleição fraudada por vizinho carniceiro. Ou pelo acordo com regime de partido único para regulação das redes.
Esse negócio de transformar democracia em alegoria já foi longe demais. E ainda não se desmanchou de vez graças a muitos colaboradores na grande imprensa que cultivam a demonização de Donald Trump. É quase uma teimosia de um setor até bastante categorizado da mídia — os jornalistas com experiência em coberturas internacionais — essa marcação de posição sistemática: apareceu Trump no noticiário, eles tiram da gaveta seu verbete embolorado do xenófobo, autocrático, beligerante, produtor de fake news, pós-verdades etc.
É mais ou menos o contrário. Com todos os seus defeitos, Trump hoje representa o contraponto a uma imprensa degenerada, que atenta contra o senso comum. Basta o exemplo da BBC fraudando um discurso do próprio Trump para tentar manipular a eleição presidencial dos EUA. E diversas outras ações, em anos recentes, regidas pelas big techs, em articulação com o “deep state”, para espalhar premissas falsas — como a história fantasiosa do conluio de Trump com a Rússia. Onde estão esses atentados “soft” nos rankings mundiais de democracia?
As entidades multilaterais falharam flagrantemente no enfrentamento ao Eixo do Mal — ou, no mínimo, no repúdio ao crescimento do poder obscuro cultivado em regimes como a ditadura iraniana. A Casa Branca é hoje o único polo real de contraposição a essa degeneração civilizatória — embalada, nos dias de hoje, com fantasias “progressistas”, “woke” e todo o humanismo de butique que passou a ser usado para fermentar poderes paralelos e artificiais.
“Estados Unidos perdem status de ‘democracia liberal’ pela primeira vez em 50 anos, indica relatório global”. Faça você mesmo a sua manchete para responder a essa notícia — lembrando que o Brasil de Lula agora é modelo de democracia para os EUA. Mas pense antes de postar.









