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Guilherme Fiuza

Guilherme Fiuza

Democracia à moda chinesa

Lula declara guerra às big techs

Lula pede regulação das redes, chama críticas de ódio e mira modelo chinês. (Foto: EFE/Andre Borges)

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Lula disse na Índia que é preciso regular as plataformas digitais para proteger a democracia. Ele disse que as big techs estão colocando a democracia “em risco”. É impressionante a preocupação do presidente brasileiro com a democracia. Que o digam seus amigos na ditadura chinesa.

Em discurso na Cúpula de Nova Délhi sobre impactos da Inteligência Artificial, Lula disse que está preocupado com os efeitos colaterais do avanço tecnológico. Ele citou alguns dos perigos que considera associados ao ambiente digital contemporâneo, dentre os quais o “discurso de ódio” e a “desinformação”.

Ao mesmo tempo, no Brasil, parte da imprensa vocalizava a tese governista de que o presidente foi vítima de ataques coordenados no carnaval. Segundo essa tese, impulsionamentos de mensagens robóticas teriam aproveitado o tema da homenagem a Lula na Marquês de Sapucaí para criticar seu governo. Foi noticiado, inclusive, que o Palácio do Planalto pediria a abertura de investigação para identificar a origem dos ataques.

Claro que uma exaltação oficialesca ao presidente da República em ano eleitoral (e antes do prazo permitido para campanha) seria passível de crítica. Assim é na democracia real — não naquela em que o poder tem o hábito de desclassificar e, eventualmente, perseguir seus críticos ou opositores.

O desfile em homenagem a Lula estava repleto de provocações aos opositores — e a escola terminou rebaixada. O que era para ser um momento de consagração popular virou um grande embaraço. Mesmo assim, ninguém proibiu ou confrontou os que quiseram sambar em celebração à biografia de Lula — uma biografia irretocável, a julgar pelo que foi apresentado no sambódromo.

Mas a culpa das críticas é dos robôs. O petismo nunca está errado. O mensalão, o petrolão e as obras completas do partido nesse departamento não estavam representados nas alas. Se a sociedade permitir, daqui a pouco não estarão também nos livros de história.

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Enquanto não chegam a essa perfeição, o melhor é ir chamando as big techs para briga. E apelidando as críticas de “discurso de ódio” e “desinformação”. Como já exposto publicamente pelo próprio Lula, seu governo busca na ditadura chinesa o padrão de gestão do meio digital. Ele até pediu ao “companheiro” Xi Jinping que fornecesse alguém de sua confiança para ajudar o Brasil a regular as redes. O PT não desiste do seu sonho de falar sozinho.

O presidente brasileiro propôs que uma regulação global das big techs seja feita pela ONU — com a qual tem tido grande afinidade no posicionamento diante de regimes obscuros como os do Irã e da Venezuela. E declarou que os dados em circulação no meio digital estão sendo “apropriados por poucos conglomerados sem contrapartida equivalente”. Contrapartida? Preparem os bolsos.

Como por aqui tudo acaba em samba, ficam duas sugestões para os próximos enredos: “Cala a boca não morreu” ou “Me dá um dinheiro aí”.

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