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Guilherme Fiuza

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Teatro eleitoral

PT agora quer parecer “anti-sistema”

A diretriz eleitoral do PT, de se apresentar como antissistema, precisará de uma engenharia dramatúrgica sofisticada para lograr êxito. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

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O presidente do PT declarou, em referência à campanha eleitoral de 2026, que o partido precisa demonstrar ser o “anti-sistema”. Para Lula e o PT se tornarem anti-sistema, será necessário inaugurar o primeiro governo de oposição da história.

É natural que o PT queira ser visto como anti-sistema. As coisas no sistema não vão nada bem. Por uma coincidência atroz, repete-se o mesmo evento verificado entre 2005 e 2015 no Brasil — em casos que ficaram popularmente conhecidos como mensalão e petrolão: o uso do aparelho de Estado para negociatas particulares.

No mensalão, contratos falsos, especialmente na área de publicidade, sangravam empresas estatais para irrigar o grupo que estava no poder. Essa verba era usada, entre outros objetivos menos “nobres”, para comprar votos no Congresso.

No petrolão, um cartel de empreiteiras conseguiu direcionar obras públicas, notadamente no setor petrolífero, para distribuir dinheiro (farto) aos sócios do esquema. A instituição do “pixuleco” fez a festa da corte. De novo, o Partido dos Trabalhadores aparecia como veículo central do esquema, por meio da moderna tecnologia da falsificação de doações eleitorais.

Hoje temos o conluio entre sindicatos e agentes públicos para lesar aposentados do INSS em uma escala bilionária. Há também um tentáculo bancário no esquema dos descontos fraudulentos, o que leva a outro uso do sistema para lesar o contribuinte: o caso Master.

A diretriz eleitoral do PT para 2026 — apresentar-se como anti-sistema — precisará, portanto, de uma engenharia dramatúrgica bastante sofisticada para lograr êxito

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A começar pelas investigações envolvendo um filho e um irmão do presidente da República na teia de desfalques previdenciários. Para completar o proverbial desafio, há as investigações do escândalo Master sobre o aliciamento de agentes públicos para o acobertamento das maiores fraudes da história do sistema financeiro nacional.

Isso tudo no momento em que o presidente declara que o Brasil será um dos países “mais respeitados do mundo no crime organizado”. Se a intenção de Lula era anunciar um novo tempo no combate ao crime organizado, fica faltando a explicação de por que não aderir ao programa Escudo das Américas e autorizar a classificação das grandes facções como terroristas.

Não só há terror suficiente para isso, como há também a interface política. Aliás, as investigações sobre uma das entidades acusadas de lavar dinheiro para o Comando Vermelho também apuram a relação do filho do presidente com um ex-sócio do grupo.

Como se vê, o plano do PT de parecer anti-sistema nas eleições deste ano talvez dependa dos milagres da inteligência artificial.

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