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Enquanto Tarcísio de Freitas aceitava de bom grado o destino político que a família Bolsonaro havia lhe traçado da forma mais humilhante, Nikolas Ferreira tratava de dar muitos passos em direção ao destino que parece estar construindo para si.
Sua marcha de 240 km até Brasília, muito longe de ser uma “Coluna Prestes da direita”, para mencionar a excelente coluna do meu colega Paulo Polzonoff, teve a capacidade de gerar um fato político relevante o suficiente para, se não mudar a condição jurídica do ex-presidente, evidenciar a liderança mobilizadora do deputado mineiro.
Foi Nikolas, e não Eduardo ou Flávio Bolsonaro, quem conseguiu produzir o conteúdo político que mais causou danos ao governo até aqui
O vídeo falando do PIX, independentemente do mérito, deu um nó na comunicação de Lula. Assistido por centenas de milhões de vezes, furou bolhas ideológicas, formando opinião para além dos grupos organizados. Mesmo as contestações acabaram insuficientes.
No caso da marcha, o surpreendente sucesso da iniciativa parece advindo de um conjunto de fatores, que vão do puro simbolismo até a plástica narrativa do “sacrifício em nome da causa”, ainda que o parlamentar fosse curar as bolhas nos pés no conforto dos hotéis que encontrava pelo caminho. Isso pouco importa.
O que vale mesmo é a centralidade dele no movimento, aglutinando aliados, todos ansiosos em gravar alguns passos ao seu lado. Até a família Bolsonaro, sempre ciumenta de protagonismo, se viu obrigada a vir a tiracolo.
Os críticos do deputado apontarão para sua produtividade como parlamentar. Mas isso pouco importa, considerando o que parece ser seu objetivo futuro. Ter um monte de projetos, ser relator de matérias ou mesmo influente nos escaninhos do poder não garante viabilidade eleitoral para o Executivo. Ulysses Guimarães que o diga. Ter erguido a Constituição recém-promulgada não lhe garantiu a faixa presidencial. Já Lula e Bolsonaro, que jamais foram atuantes em matéria legislativa, chegaram lá.
No campo da direita política, fora da família Bolsonaro, é Nikolas quem vai despontando. Vaticinar que ele será presidente da República no futuro é torcida. Já ignorar sua popularidade crescente é autoengano.
É possível dizer, entretanto, que, até agora, seus movimentos, calculados ou não, contribuem para que se torne plenamente viável num futuro nada distante.




