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Guilherme Macalossi

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Vice

Abrir mão de Alckmin seria erro monumental de Lula

Presidente Lula (PT) e vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

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Nenhum petista com o mínimo de tirocínio pode ignorar o fato elementar de que Geraldo Alckmin foi tão essencial para eleição de Lula em 2022 que, não tivesse o ex-tucano feito uma aliança com o petista, Jair Bolsonaro teria sido o vencedor daquela disputa. Do ponto de vista estratégico, o movimento, na época, foi tão surpreendente quanto oportuno. Isso porque tal composição tinha o fito de materializar um aceno para segmentos eleitorais que não gostavam de Lula, mas que, acima de tudo, queriam se ver livres de Bolsonaro. E deu certo.

O cenário de 2026 não mudou em relação ao de 2022. O país está rachado, sendo mínima a chance de uma terceira via se consolidar de forma viável em contraposição tanto ao petismo quanto ao bolsonarismo. Gilberto Kassab é um articulador habilidoso, mas até aqui mais bem-sucedido nos bastidores do que necessariamente em construir um nome capaz de suplantar os adversários posicionados nos polos ideológicos.

A pergunta que os petistas deveriam se fazer é se, dadas as condições atuais, há alguém no mercado político com mais credencias que Alckmin para ocupar a função de vice

Nas últimas semanas, Lula vem trabalhado arduamente para isolar Flávio Bolsonaro. Manteve uma série de reuniões com lideranças do Centrão. Inclusive Ciro Nogueira, ex-aliado do petista que se converteu em apoiador e ministro de Jair Bolsonaro. Nogueira, que é senador pelo Piauí, não tem certeza de reeleição, e seu posicionamento oposicionista ao governo federal dificulta esse objetivo. A aproximação entre os dois obedece a um critério essencialmente pragmático. Para Lula, se bem-sucedido, enfraquece ainda mais a oposição no Nordeste, e para Ciro, pavimenta um caminho mais seguro na disputa local.

É no contexto dessa série de conversas que surgiu a especulação sobre o papel de Alckmin em 2022. E veio da boca do próprio Lula, que quer também o MDB formalmente em sua coligação. Foi o ministro Renan Filho quem tratou do assunto. “Quem falou isso [que aceitaria ter um vice do MDB] foi o Lula. Não fomos nós. Ele tratou disso comigo e com o senador Eduardo Braga no dia 17 de dezembro na Granja do Torto”, disse Renan.

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É claro que a estratégia de ampliar o escopo de partidos da aliança governista deixando Flávio Bolsonaro apenas com o PL seja a mais apropriada tendo os interesses do petismo, mas abrir mão de Alckmin seria um erro monumental de Lula.

Além de um vice resolutamente fiel, Alckmin é um quadro reconhecido tanto no campo político quanto no econômico. Como ministro da Indústria, acabou sendo o grande articulador do processo de aproximação do governo brasileiro com o governo Donald Trump. É visto, em alguns dos principais círculos produtivos, como o melhor quadro do atual governo.

A pergunta que os petistas deveriam se fazer é se, dadas as condições atuais, há alguém no mercado político com mais credencias que Alckmin para ocupar a função de vice. Nem Renan Filho, nem Simone Tebet, nem o próprio Fernando Haddad tem a mesma representatividade. Qualquer troca seria em prejuízo da chapa vitoriosa de 2022. Sabendo do risco potencial da mera especulação, Edinho Silva, presidente do PT afirmou que Alckmin “será candidato àquilo que ele quiser”. Pode até ser, mas o cheiro de descarte e de traição já fede no ar.

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