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Eis que, de um dia para o outro, surge a ameaça de uma greve dos caminhoneiros. O que querem, afinal, aqueles que se reivindicam como representantes da categoria? Que Lula vá ao Oriente Médio e desbloqueie, por conta própria, o estreito de Ormuz, coisa que até os americanos, com toda a sua tecnologia militar, não foram capazes de fazer?
A crise no setor petrolífero não foi uma escolha nem do governo federal nem dos governos estaduais, mas resultado direto de uma guerra cuja iniciativa e perspectiva, cuja origem e desfecho, ninguém no Brasil tem qualquer influência. Uma externalidade que atingiu o mundo inteiro, com consequências imprevisíveis.
A mera especulação criada num momento de enorme instabilidade na economia global é um ato de oportunismo, de irresponsabilidade e, de certa forma, até mesmo de terrorismo político
Os instrumentos à disposição, tanto do governo federal quanto dos governos estaduais, são todos tão custosos quanto limitados. Dentre as medidas já tomadas estão a redução de tributos, como PIS e Cofins (que foram zerados), e também a criação de uma subvenção específica para o diesel. A estimativa é que o custo de tais medidas seja da ordem de R$ 30 bilhões.
Diante do cenário delicado das contas públicas, trata-se, na prática, de um gasto que a União terá de contratar por fora do arcabouço fiscal. Se eventualmente ainda houver a necessidade de compensação dos estados pela eventual redução do ICMS, o montante deve saltar para um valor ainda maior.
A mera especulação criada num momento de enorme instabilidade na economia global é um ato de oportunismo, de irresponsabilidade e, de certa forma, até mesmo de terrorismo político. O que acontece, afinal, se todas as reivindicações não forem atendidas? O país para? Teremos bloqueios sistemáticos nas rodovias? O fornecimento de produtos essenciais será interrompido? Será forçada uma escassez artificial? A resposta para o problema dos combustíveis não é o caos generalizado que alguns parecem desejar.
Ainda é recente na memória do país as consequências da paralisação ocorrida em 2018. A tal greve que, na verdade, foi um shutdown criminoso imposto por baderneiros organizados com o fito de paralisar a economia brasileira. Na época, o impacto estimado foi de 1% sobre o Produto Interno Bruto.
Muita gente capitalizou, ganhou popularidade e construiu carreira política em cima da boleia de caminhão, bloqueando via pública enquanto empregos eram colocados em xeque. Gente que estava menos interessada em derrubar o preço dos combustíveis e mais interessada em aumentar o capital político para as eleições.
Conteúdo editado por: Jocelaine Santos








