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Guilherme Macalossi

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Presidência

As razões para Lula não desistir da reeleição

Lula chega a 6 meses antes da eleição com taxa de rejeição histórica
Lula chega a 6 meses antes da eleição com taxa de rejeição histórica (Foto: Reprodução Canal Gov)

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O presidente Lula incendiou as redes sociais e o colunismo político quando, essa semana, durante uma entrevista ao portal ICL News, disse não saber ao certo se seria de fato candidato em 2026. “Eu não decidi se serei candidato ainda. Vai ter uma convenção em junho e eu, para decidir ser candidato, vou ter que apresentar um programa, vou ter que apresentar uma coisa nova para esse país”, afirmou.

A fala foi tomada como hesitação diante de um cenário eleitoral crescentemente incerto no qual o favoritismo eleitoral do governo se fragiliza na medida em que recaem sobre ele os desgastes combinados e cruzados do escândalo do INSS e do Banco Master.

Ao se retirar para “evitar a derrota”, Lula seria o protagonismo do derrotismo, dando de bandeja aos seus adversários o discurso de que nem ele seria capaz de fazer a defesa do seu terceiro mandato

Não se pode usar termos absolutos como “certeza” quando se trata de política. Mas é possível dizer que um cenário sem Lula é altamente improvável. Isso porque ele deve saber que sair, nesse momento, seria equivalente a quase antecipar a entrega da faixa presidencial a Flávio Bolsonaro, sacramento a vitória de seu clã.

Lula ainda é, de longe, a figura maior do campo progressista. Ainda que Geraldo Alckmin e Haddad tenham credenciais para sustentarem candidaturas alternativas, nenhum dos dois iguala a capilaridade do atual mandatário, que ainda consegue furar bolhas ideológicas. Alckmin não empolgaria o eleitorado petista, por mais que seja um vice fiel, já Haddad seria tido como elitizado e “tucano demais”, até dentro do próprio PT.

Uma desistência de Lula, aliás, não o tiraria do centro do debate. Ao contrário. Permaneceria nele, daí pela ausência que seria, na certa, classificada como covarde e pusilânime, e transformada em mote contra qualquer um que ficasse com o trabalho de substituí-lo na urna.

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Outro efeito político devastador seria o da percepção de fracasso. Ao se retirar para “evitar a derrota”, Lula seria o protagonismo do derrotismo, dando de bandeja aos seus adversários o discurso de que nem ele seria capaz de fazer a defesa do seu terceiro mandato, e de que ao escolher não concorrer, estaria objetivamente confessando a fragilidade do seu legado.

A eleição de 2026 tornou-se a mais difícil da carreira de Lula, ainda que, inadvertidamente, ele esteja disputando ela com o representante mais frágil do bolsonarismo. Flávio Bolsonaro só foi ungido porque seu irmão Eduardo Bolsonaro teve uma vitória política interna na direita, suplantando as pretensões de Tarcísio de Freitas.

Ainda assim, o filho 01 é um candidato que carrega esqueletos, e que hoje fatura politicamente pela contenção da própria exposição. Flávio é o candidato possível da família, não o ideal. Já Lula é o candidato ideal do petismo, sem o qual a vitória do partido não parece possível.

Conteúdo editado por: Jocelaine Santos

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