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Guilherme Macalossi

Guilherme Macalossi

Oriente Médio

Como Donald Trump quer enquadrar o regime aiatolá?

O presidente americano disse que os EUA vão “precisar” do porta-aviões USS Gerald R. Ford caso não seja fechado um acordo nuclear com o Irã (Foto: SAMUEL CORUM/EFE/EPA)

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"Eles continuam dizendo que 'enviamos um porta-aviões em direção ao Irã'. Muito bem. Um porta-aviões é certamente um equipamento perigoso. Porém, mais perigoso do que o porta-aviões é a arma que pode afundá-lo", disse o aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, sobre a movimentação militar norte-americana no Oriente Médio. Outrora, tal declaração do clérigo xiita poderia gerar algum nível de receio no Ocidente. Mas agora soa apenas como um blefe desesperado de alguém que se sente encurralado. É esse o estado atual de seu regime teocrático: cercado militarmente, pressionado geopoliticamente e contestado internamente.

Após a operação “Martelo da Meia-Noite”, em que uma esquadrilha de bombardeiros norte-americanos destruiu as instalações nucleares iranianas, os aiatolás foram expostos. Isso porque se revelaram completamente incapazes não apenas de se defender, mas também de revidar, o que é incompatível com a imagem de potência regional que seus próceres tentaram construir ao longo das últimas décadas. Some-se a isso a desarticulação de sua rede proxy de grupos terroristas, que foi desmantelada nas sucessivas operações militares israelenses ocorridas desde o atentado promovido pelo Hamas, em outubro de 2023.

Além da operação naval, os EUA reforçaram maciçamente suas bases no Oriente Médio. Segundo longa apuração da agência Reuters, a ofensiva pode 'durar semanas'. Em outras palavras: ou os aiatolás se enquadram, ou serão forçados a se enquadrar pela via da força, com Khamenei estrilando dentro de uma caverna

Na esteira dos reveses militares, a população iraniana, herdeira da riquíssima tradição cultural e científica do antigo Império Persa, encontrou a janela de oportunidade para promover atos contra o governo. A eclosão das manifestações foi seguida por uma onda de repressão, com milhares de prisões arbitrárias e mortes. A brutalidade do regime ao tentar asfixiar a liberdade de seu povo, entretanto, apenas ressaltou sua fragilidade.

O presidente americano até mencionou o cenário ideal em que haveria uma troca de regime, mas isso parece improvável, considerando o vácuo de liderança que seria gerado. Como não há oposição organizada, nem mesmo estrutura militar não hierarquizada por membros da Guarda Revolucionária, sobra a solução pragmática como alternativa a um novo bombardeio (que não pode ser descartado).

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Além do fim de qualquer resquício do programa nuclear iraniano, os Estados Unidos desejam desarticular a produção de mísseis balísticos do país, uma histórica ameaça regional para os aliados do Ocidente no Oriente Médio. A ambição do acordo é proporcional à possibilidade de os aiatolás não o cumprirem.

É por isso que a estratégia de Donald Trump para lidar com os aiatolás é usar a força bélica como meio de pressão para obter um resultado político. Ao mesmo tempo em que despachou Jared Kushner e Steve Witkoff, figuras proeminentes da diplomacia de seu governo, também enviou para a região o porta-aviões Gerald Ford (aquele que Khamenei ameaçou afundar). Além da operação naval, os EUA reforçaram maciçamente suas bases no Oriente Médio. Segundo longa apuração da agência Reuters, a ofensiva pode “durar semanas”. Em outras palavras: ou os aiatolás se enquadram, ou serão forçados a se enquadrar pela via da força, com Khamenei estrilando dentro de uma caverna.

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