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Guilherme Macalossi

Guilherme Macalossi

Eleições 2026

A direita disputa contra Lula e também entre si

Lula inaugura campanha refazendo promessas de eleições passadas e com ataques contra a direita. (Foto: EFE/ Andre Coelho)

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Triste a sina da dita direita brasileira, que passou os últimos quatro anos dizendo que precisava encontrar um nome capaz de derrotar Lula e, quando chegou a hora de procurá-lo, descobriu uns quantos reivindicando a função, nenhum com absoluta certeza de que é capaz de fazê-lo. Não é novidade. A direita, que propõe a defesa da família tradicional, nunca foi mais do que uma reunião de parentes que se toleram durante o almoço de domingo porque têm o que chamam de inimigo em comum. O problema é que o inimigo eclipsou o referencial de agenda alternativa. Combater Lula e o PT tornou-se um fim em si mesmo.

A oposição a Lula não produziu uma direita politicamente coesa. Sem fio condutor a nortear um projeto político alternativo, a reunião de liberais, conservadores, empresários, militantes, religiosos, lavajatistas e descrentes na política tradicional apenas reforçou distinções quase inconciliáveis entre muitos subgrupos que tinham, ao longo de suas respectivas trajetórias, o antipetismo como único elo comunicante.

A política tem, como se sabe, o mau hábito de se tornar mais complexa depois que se vence. O preço pago pelos antipetistas foi o retorno de Lula ao poder. Como estes parecem não ter aprendido e nem esquecido nada, a fatura política pode vir dobrada em 2026.

Uma eleição presidencial não é vencida apenas pelo candidato que melhor representa seu grupo.

A família Bolsonaro entende ter uma espécie de direito de prevalência sobre a direita. Flávio é o candidato presidencial porque Jair decidiu que deveria ser assim. Eduardo continua exercendo influência sobre a militância e sobre os rumos da campanha do irmão. É como se um campo político inteiro fosse reduzido a uma sesmaria ideológica.

O mais irônico é que Jair Bolsonaro, depois de ter sido derrotado por Lula, reivindicou para si a autoridade de nomear quem deveria enfrentar e vencer o petista. E, convenientemente, delegou isso a um filho, ignorando que, dadas as características dessa disputa, a própria identidade política pode ser limitante, na medida em que a tarefa determinante para vencer é menos mobilizar a própria base e mais a de ampliá-la.

Uma eleição presidencial não é vencida apenas pelo candidato que melhor representa seu grupo. É vencida por aquele que consegue convencer gente que não pertence inteiramente a ele. O compromisso da família, entretanto, sempre foi de outra natureza.  Alegando a necessidade de unidade política, Jair e seus filhos queriam era preservar a própria posição de comando na direita.

Flávio Bolsonaro entra na campanha eleitoral como uma aposta derradeira. Vencendo Lula, reconsolida a família. Sendo derrotado por ele, abre margem para dissidências ideológicas ainda mais importantes, inclusive desde dentro do bolsonarismo.

Momentaneamente, o lulopetismo está mais confortável. Lula ainda é o personagem central da esquerda brasileira. A discussão sobre seu legado está no futuro, ainda mais se ele for reeleito. Já a do pós-bolsonarismo é equação atual, presente na disputa presidencial de 2026. A direita disputa não apenas contra Lula, mas também entre si mesma.

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