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Donald Trump não parece muito preocupado em parecer virtuoso a quem, de antemão, o rejeita de forma sumária, nem que objetive ser muito popular para além das fronteiras de seu próprio país. Seu modus operandi truculento, a pose de senhorio imperial e a megalomania corriqueira causam espécie e assustam quase todo o mundo, deixando em segundo plano as muitas consequências positivas de suas ações.
Alguém poderá negar que o mundo se torna um lugar melhor sem Nicolás Maduro no poder? Mesmo que o objetivo original do governo americano não tenha sido intervir na Venezuela para restaurar a democracia, fato é que a remoção do tirano, independente das alegações apresentadas contra ele (e há fundamento na acusação de participação no narcotráfico internacional), representa um alívio momentâneo na realidade política do país.
A queda de Maduro, da forma como se deu, é benéfica os Estados Unidos. Assim com o enfraquecimento dos aiatolás no Irã. Mas quem disse que, por tabela, também não beneficia a própria humanidade?
O regime chavista permanece no poder, é verdade. Mas a queda de Maduro o enfraquece, até porque a realidade imposta pelos Estados Unidos é outra. E uma das consequências possíveis, no médio e longo prazo, é a pacificação política, com a retomada de um mínimo de estabilidade para que haja a tão desejada transição pacífica de poder.
O mesmo se pode dizer do Irã. O ataque contra as instalações nucleares do país ainda produz resultados externos e internos. Ao bombardear as usinas escondidas sob as montanhas, Trump expôs uma fragilidade militar que os radicais teocráticos batalhavam para esconder. Desde a revolução de 1979, eles posicionaram o Irã como o Estado antítese de Israel e uma potência regional beligerante aos interesses ocidentais, fazendo uso, principalmente, do financiamento do terrorismo. Em poucos meses essa condição foi reduzida a um vexame internacional.
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Para sobreviver, os aiatolás recorrem à violência explícita, matando milhares de pessoas. Os revezes militares abriram margem para que a insatisfação generalizada da população iraniana (jovem, integrada com as redes sociais e herdeira de uma tradição cultural riquíssima) fossem às ruas contestar a ditadura religiosa. A repressão brutal é, de muitas formas, também um ato desesperado de sobrevivência. Trump fez o aiatolá Khamenei se entocar num bunker. E, de certa forma, ele permanece lá.
Ao contrário do que seus críticos apontam, não há qualquer traço de idealismo ou de ideologia na geopolítica de Trump. O que se tem é pragmatismo frio de resultados, sob a óptica do lema “America First”. A queda de Maduro, da forma como se deu, é benéfica os Estados Unidos. Assim com o enfraquecimento dos aiatolás no Irã. Mas quem disse que, por tabela, também não beneficia a própria humanidade?
Conteúdo editado por: Jocelaine Santos




