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Guilherme Macalossi

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Eleição

Flávio Bolsonaro é o testa de ferro de Eduardo e Paulo Figueiredo?

Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro é hoje menos o representante do pai e mais o testa de ferro do próprio irmão. Não é que ele tenha feito a opção por se associar aos radicais, é que opção ele jamais teve. (Foto: André Borges/EFE)

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Não durou muito tempo a fantasia política de que Flávio Bolsonaro poderia capitanear uma candidatura oposicionista moderada ao governo Lula. Como se dizia por aí? “O Bolsonaro vacinado”. Pudera. Flávio só conseguiu assumir tal condição por consequência da vitória política de seu irmão, Eduardo Bolsonaro, que sempre teve como prioridade, antes de vencer o PT, manter a hegemonia ideológica no campo da direita.

Eduardo, verdade seja dita, limpou o terreno, desmoralizando possíveis concorrentes para tornar a sucessão do pai um processo eminentemente hereditário. A direita tomada como Sesmaria da família. Tarcísio de Freitas, nome que agradava o Centrão, nacos importantes do antipetismo e a quase totalidade do mercado financeiro, foi preterido, ainda que a opção por ele fosse a mais óbvia do ponto de vista da construção de alianças e viabilidade eleitoral.

Que ainda tenha gente na direita apelando para que o pré-candidato do PL faça acenos de maneira a dialogar recuperando os apoios que vai perdendo, apenas evidencia como estes se perderam na mais pura ingenuidade política

Nas últimas duas semanas, o PL, partido hospedeiro do bolsonarismo, foi definitivamente implodido com a publicização da fritura de Michelle Bolsonaro, que, desde a unção de Flávio, vem sendo alvo de uma verdadeira purga política. A ex-primeira-dama tornou-se excessivamente influente construindo uma imagem forte junto ao público feminino de direita. Como nunca se sujeitou às diatribes dos enteados (principalmente de Eduardo e de Carlos Bolsonaro), fez questão de manter uma independência que, para estes, só podia ser classificada como intolerável.

Valdemar Costa Neto até tentou refazer as pontes entre as partes, mas sem sucesso. Desde então, Michelle abandou a presidência do PL Mulher e acena com a possibilidade de nem mesmo concorrer ao Senado pelo Distrito Federal. Os ataques contra ela apenas se ressaltaram, tendo como ponta de lança o jornalista Paulo Figueiredo, uma espécie de articulador ideológico da militância bolsonarista.

Em vídeos publicados em seu canal no Youtube, Figueiredo disparou não apenas contra Michelle, mas também contra o que ele imagina ser a posição do eleitorado feminino em geral. “Mulher vota estatisticamente mal, principalmente as solteiras, as casadas costumam acompanhar o marido", disse, naquele tom que tangencia entre a prepotência e o grotesco.

Figueiredo, cuja postura não pode ser dissociada da de Eduardo, fulminou qualquer realinhamento interno imediato no PL. O incendiário empurrou para longe lideranças como Damares Alves e Tereza Cristina. Incapaz de protagonizar qualquer reação espontânea, Flávio só se manifestou contrariamente ao aliado após ser autorizado por este a fazê-lo. “Faça do limão uma limonada. Me desautorize publicamente. Caso alguém pergunte, não tenha melindre de me desautorizar. Diga que eu não estou na campanha. Diga que discorda de mim”, disse deixando claro que manda e desmanda na campanha. Liberado, Flávio Bolsonaro foi lá e fez, mas quase pedindo desculpas.

A pré-candidatura do filho 01 faz água nas mais variadas frentes. No front externo, pela associação com as tarifas trumpistas, no front interno, pela relação com Vorcaro. Some-se a isso a crise com Michelle Bolsonaro e seu impacto potencial entre o eleitorado feminino, há quase uma tempestade perfeita. Michelle, por sua vez, parece entender que ele precisa mais dela do que ela dele. Enquanto isso, Lula segue fazendo campanha.

Que ainda tenha gente na direita apelando para que o pré-candidato do PL faça acenos de maneira a dialogar recuperando os apoios que vai perdendo, apenas evidencia como estes se perderam na mais pura ingenuidade política. Teleguiado, Flávio Bolsonaro é hoje menos o representante do pai e mais o testa de ferro do próprio irmão. Não é que ele tenha feito a opção por se associar aos radicais, é que opção ele jamais teve.

Conteúdo editado por: Jocelaine Santos

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