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Guilherme Macalossi

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Banco Master

Justificativas de Flávio para encontros com Vorcaro são mais difíceis de engolir que detergente

Flávio Bolsonaro
Áudios vazados revelaram que senador cobrou dinheiro de banqueiro para bancar filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). (Foto: André Borges/EFE)

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Flávio Bolsonaro vive dias de horror em sua pré-campanha. Na última terça-feira (19), ele teve de deixar uma reunião com aliados para tentar explicar a informação publicada na coluna do jornalista Igor Gadelha de que teria se encontrado com Daniel Vorcaro quando este já usava tornozeleira eletrônica e cumpria pena de prisão domiciliar. “Eu trago aqui para vocês, eu falei lá dentro para os deputados, mas já vi que a imprensa já divulgou”, disse antes de admitir o fato. É o retrato de uma candidatura sem capacidade reação e que se esfacela engolfada pela proximidade com o caso Banco Master.

O clima na coletiva de imprensa era de constrangimento explícito e consternação mal disfarçada. Só o olhar de Sergio Moro, que parecia fitar o além, já valia um estudo de caso em matéria de expressão corporal. Era como se nada habitasse aquele corpo, que apenas estava lá, parado ao lado do filho do ex-presidente com quem ele rompeu ao acusar de interferir na Polícia Federal. Outros tentavam expressar alguma algum ar de dignidade e confiança, mas só conseguiam chegar no nível interpretativo dos coadjuvantes do filme Dark Horse.

Flávio foi sistematicamente desmentido por fatos sobrepostos a novos fatos. Uma sucessão de desmoralizações que raras vezes se viu no debate público e em uma campanha eleitoral

O desconforto generalizado era também resultante de uma inequívoca quebra de confiança interna (não admitida, por óbvio). Nem os aliados mais próximos de Flávio tinha conhecimento de sua proximidade com o banqueiro do Master. Todos foram pegos de surpresa, já que o próprio Flávio enfatizava publicamente que não tinha qualquer relação com Vorcaro, que o escândalo estava longe de sua família. Não há gestão de crise que consiga resolver desgastes novos resultantes da omissão de informações sensíveis.

A situação mudou de forma tão drástica que, em poucas semanas, foi de negar qualquer relação com Vorcaro para admitir que o encontrou pessoalmente já preso. Visita essa, aliás, que Flávio não fez a aliados históricos presos por determinação de Alexandre de Moraes.

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A justificativa apresentada, alias, merece destaque. O pré-candidato do PL afirmou que foi ao encontro do banqueiro para romper o contrato e reclamar que, tivesse sido avisado de sua situação, teria buscado outras fontes de financiamento. É a típica reunião que poderia muito bem ser substituída por um e-mail. Ou pelo envio de um recado via emissário. Mas não. Flávio foi tomar um chá de despedida com o desafortunado investidor cinematográfico.

Flávio foi sistematicamente desmentido por fatos sobrepostos a novos fatos. Uma sucessão de desmoralizações que raras vezes se viu no debate público e em uma campanha eleitoral. Cada versão que apresentou colide com as anteriores e todas as suas com a dos demais personagens envolvidos. Agora ele quer fazer o eleitorado bolsonarista acreditar que realmente foi lá na casa de Vorcaro lhe dar uma carraspana. É mais fácil engolir um litro de detergente.

Conteúdo editado por: Jocelaine Santos

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