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Mensalão e petrolão, cada um a sua forma, foram escândalos de inegável impacto político e institucional na história recente do Brasil. O primeiro constituiu-se de um esquema de criação de bancadas paralelas no Congresso Nacional, com o fito de dar “governabilidade” para Lula em seu 1º mandato. Já o assaque feito na Petrobras tinha como objetivo escoar dinheiro de contratos superfaturados com empreiteiras companheiras para irrigar as campanhas eleitorais dos partidos governistas. O caso do Banco Master, entretanto, é ainda pior. Isso por expor a permissividade geral da institucionalidade do país.
A facilidade com que Daniel Vorcaro se alimentou do status quo, enquanto lhe devolvia migalhas, é emblemático da fragilidade republicana. Comprava, como ações na Bolsa, gente com dinheiro de CDBs podres. Na mídia, para vender narrativas, e no Banco Central para fazer passar incólume todas as suas operações financeiras criminosas.
Vorcaro fez o investimento certo de que o risco era zero. Explorou como poucos o bom e velho capitalismo de compadrio (verdadeiro patrimônio nacional), com direito a jantares, palestras e festinhas
Buscando encobrir flancos, tratava também de celebrar contratos para manter as costas quentes. Juntou uma verdadeira milícia para ameaçar adversários e quem quer que ficasse no seu caminho.
A expansão agressiva do Master não foi resultado do brilhantismo financista (de nomes como Warren Buffet, que leem, entendem e arriscam sabendo do risco), mas da visão particular de negócios de seu dono. Ele viu um mercado a ser explorado: da promiscuidade política e institucional.
Vorcaro fez o investimento certo de que o risco era zero. Explorou como poucos o bom e velho capitalismo de compadrio (verdadeiro patrimônio nacional), com direito a jantares, palestras e festinhas patrocinadas.
Vorcaro constituiu uma teia intrincada de relações espúrias com figuras proeminentes da República. Transitava com desenvoltura entre esquerda, centro e direita. Sem qualquer cerimônia ou protocolo, falava com membros dos Três Poderes. Os tomava como esbirros, como garotos de recados, como estagiários. Tudo isso enquanto trocava R por L em mensagens dignas de romance pré-adolescente com a namorada.
Conteúdo editado por: Jocelaine Santos








