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Habemus debate. Já não era sem tempo. Depois de tergiversar, e até negar que compareceria, Flávio Bolsonaro confirmou presença no encontro presidencial promovido pela Band no próximo dia 18. Lula, que terminou o 1º turno das eleições atrás, já tinha dito que iria. Nenhum dos dois tem margem para se ausentar. O risco de ir é alto, mas não ir representa um prejuízo que talvez se torne irreversível numa disputa em aberto, em que os dois precisam manter seus votos e garimpar outros.
Lula, é verdade, não esperava por isso. Instado pelos bajuladores que compõe seu círculo íntimo, achou que poderia vencer de primeira. Fez uma campanha antiquada mimetizando um discurso político que casava com um país que não existe mais e que se remetia a um primeiro mandato que já não importa nem é lembrado direito na mente do cidadão. O resultado (na forma de um juízo sobre seu atual governo) veio na forma de uma onda conservadora como jamais se viu nas urnas.
O petismo foi obrigado a contemplar um cenário que seus militantes ainda não parecem dispostos a enfrentar: o pós-Lula. Mas ele está aí, como dado objetivo da realidade ideológica do país, com o presidente reeleito ou não
No último domingo (12), o PT e seus satélites foram às ruas dispostos a mostrar força. A reação foi numericamente contundente. Milhares de militantes de esquerda se reuniram em capitais e cidades populosas. Fazia anos que a esquerda não arregimentava tanta gente na Avenida Paulista, território que passou a ser ocupado, ao menos desde 2015, majoritariamente pelo antipetismo. É como se o governo tivesse tomado uma superdose de adrenalina na UTI. A saber se vai se recuperar a tempo.
Há poucas opções para Lula. Os votos dos candidatos nanicos de direita que ficaram fora do segundo turno tendem a votar em Flávio ou mesmo a anular. Sobram os eleitores que não compareceram. É preciso fazê-los votar, e indo votar, votar pela continuidade. O que se viu nas ruas não parece ter sido nada disso.
A massa de petistas era resultado da presença dos já mobilizados. Eles são importantes para dar musculatura na reta final de campanha, não suficientes para vencer. E as imagens de depredação de estações de metrô, na certa, não ajudam a convencer os poucos indecisos que viram a cara para o bolsonarismo.
Por uma linha, o PT aposta na sua capilaridade política. Por outra, usa a máquina. Lula anunciou uma série de bondades na boca da urna. Uma nova fase do Desenrola, o perdão de dívidas para MEIs, ampliação de subvenção para combustíveis e até a distribuição de canetas emagrecedores, dentre outras ações. Cada uma ajudando a engordar um custo fiscal já bastante elevado.
É como se força das ruas tivesse também a serventia de mascarar o vale tudo desesperado das medidas governamentais. É fácil entender a razão. O petismo foi obrigado a contemplar um cenário que seus militantes ainda não parecem dispostos a enfrentar: o pós-Lula. Mas ele está aí, como dado objetivo da realidade ideológica do país, com o presidente reeleito ou não.
Se o campo progressista virar a eleição, conseguirá apenas mediar a discussão com um Lula em último mandato e enfraquecido no poder. Se não conseguir, o fará sobre os escombros de uma derrota histórica.
Conteúdo editado por: Jocelaine Santos

Guilherme Macalossi é jornalista, apresentador, redator e radialista. Formado em Direito, é apresentador do programa "Bandeirantes Acontece" e comentarista do "Jornal Gente", na Rádio Bandeirantes. É colunista do jornal "Band Cidade", na TV Bandeirantes. Atua também como fellow do Instituto Monitor da Democracia. Na Gazeta do Povo já foi produtor do programa Imprensa Livre e de mini-documentários especiais. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



