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Quanto tempo dura a candidatura de Ronaldo Caiado? Ele foi escolhido presidenciável por uma elite de caciques liderada por Gilberto Kassab. As bases do PSD, entretanto, não poderiam estar mais desinteressadas em sua candidatura. Afinal, não se trata de um partido doutrinário, que aglutina afilhados por visão de mundo, que ambicione unificar o discurso em nome das convicções conservadoras do governador de Goiás. Ao contrário, o PSD, desde sua fundação, foi pensado para orbitar o poder, independente de quem esteja nele.
É a lógica local, bem como a formação de bancadas no Congresso, que dita seus rumos. E, sob este prisma, Caiado (assim como seria Eduardo Leite), torna-se um empecilho. O governador de Goiás, pelo menos circunstancialmente, é candidato apenas de si mesmo. Ou o lulista PSD baiano, ou o bolsonarista PSD de São Paulo vão abrir mão de apoiar Lula e Flávio Bolsonaro para embarcar numa aventura que patina nas pesquisas para ficar na frente de Renan Santos, do recém lançado partido Missão?
Caiado não tem a mesma posição e só pode competir pelos votos de Flávio, já que sempre foi um líder político de direita. De modo que, para crescer, se obrigaria a bater mais nele do que em Lula
Nem mesmo no Rio Grande do Sul, do PSD de Eduardo Leite, haverá muita disposição para apoio. Alijado da disputa, o governador gaúcho lançou um vídeo criticando a escolha e deixando claro seu inconformismo. Por que ele dedicaria tempo a Caiado quando precisa se dedicar em eleger o próprio sucessor no estado?
Qual o caminho discursivo que sobra a Caiado? Leite ao menos tentaria fisgar alguns votos liberais e de centro-esquerda, equilibrando o tom para não se parecer nem com Lula e nem com Flávio Bolsonaro.
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Caiado não tem a mesma posição e só pode competir pelos votos de Flávio, já que sempre foi um líder político de direita. De modo que, para crescer, se obrigaria a bater mais nele do que em Lula. E isso provavelmente não seria recebido pelo eleitor bolsonarista de forma positiva. Acabaria soando, isso sim, como um traidor.
A indicação de Caiado é a capitulação da chamada “terceira via” como alternativa de centro. Ele é, isto sim, a personificação de outra coisa: o bolsonarismo sem Jair Bolsonaro. E este tem ainda menos margem para ser bem-sucedido. Não parece haver, no mercado das ideias políticas, alguém que compre tal produto pelo valor de face. Melhor então o bolsonarismo com Bolsonaro, mesmo que seja o filho.
Conteúdo editado por: Jocelaine Santos








