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Gustavo Maultasch

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A esquerda é o problema

Uma série de estudos tem demonstrado o mesmo fenômeno: é a esquerda que vem-se radicalizando, que vem-se fanatizando com velocidade, e que é responsável por elevar o acirramento e a hostilidade do debate público. (Foto: Imagem criada utilizando Open AI/Gazeta do Povo)

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Na ânsia por se mostrarem neutros, isentos e equidistantes, muitos analistas evitam atribuir culpa maior a um dos lados do espectro político. Se o debate público está acirrado, com hostilidades de lado a lado, então os dois lados devem estar errados. Como aquele pai cansado de ver – e com preguiça de arbitrar – brigas entre os filhos, eles simplesmente decretam que todos são igualmente culpados.

Eles olham para a esquerda e para a direita e pensam que estão olhando para dois lados simétricos. Existe a esquerda, e a extrema-esquerda; e existe a direita e a extrema-direita. Se tem briga, se tem polarização, é porque os dois são igualmente responsáveis.

O problema é que isso não é verdade. Há algumas décadas, a esquerda ocidental tem-se tornado muito mais extremista, radicalizada e fanática do que a direita. Para começar: você consegue se lembrar de alguma pauta em que a esquerda tenha moderado sua posição nos últimos anos?

O movimento ideológico dentro da esquerda ocorre apenas em direção a mais autoritarismo, a mais intervencionismo, a mais caos urbano. Em pautas como ambientalismo, criminalidade, questões de gênero, censura, enfim, em praticamente qualquer tema de política pública, a esquerda fez-se apenas fanatizar.

A direita por outro lado tem-se moderado em diversas pautas. Por exemplo, a legalidade do casamento gay é praticamente inquestionada na direita atual. Muitos na direita têm, ainda, mudado de posição em relação à mudança climática ou à legalização de algumas drogas.

Meu ponto aqui não é discutir o mérito dessas pautas, mas apenas estabelecer o fato de que, se o debate público se radicalizou, se a política se tornou mais extremada, isso se deve sobretudo à esquerda. A direita tem permanecido a mesma ou, tem-se até moderado.

Isso pode ser bem comprovado com uma série de estudos realizados nos Estados Unidos.

Um estudo publicado este mês por David Young et al. analisou a posição política dos eleitores americanos desde 1988, e concluiu que a polarização deveu-se mais à radicalização da esquerda, enquanto a direita praticamente manteve as suas posições:

Em uma análise para o Financial Times, publicada no final de 2024, John Burn-Murdoch demonstrou que, em temas como ações afirmativas e imigração, os democratas afastaram-se bastante do eleitor mediano, muito mais que os republicanos:

Em outra análise, publicada em dezembro de 2024, o mesmo autor comentou como, há 20 anos, os democratas americanos eram mais restritivos que os hispânicos em relação à imigração. Hoje, no entanto, os democratas são substancialmente mais favoráveis à imigração que os hispânicos:

Uma pesquisa da Pew Research Center mostrou também como, de 1994 a 2014, os democratas tornaram-se mais ideologicamente consistentes que os republicanos:

Uma pesquisa da Gallup demonstrou a mesma radicalização acelerada dos democratas:

Por fim, um estudo publicado em 2023 por Adrian Lüders et al. analisou o grau de consistência ideológica entre pessoas identificadas como democratas e republicanos nos Estados Unidos:

Segundo a análise, há mais diversidade de pensamento na direita do que na esquerda: “os democratas (mais do que os republicanos) tendem a centrar fortemente seu sistema de crenças em torno de um conjunto de posições situadas nos extremos (...) o que implica que pessoas que se desviam dessas posições provavelmente serão consideradas membros de um grupo externo (...) Pode ser que sustentar atitudes extremas (e, portanto, inegociáveis) sobre questões sociopolíticas importantes tenha se tornado cada vez mais definidor da identidade para os democratas”.

Como se vê, uma série de estudos tem demonstrado o mesmo fenômeno: é a esquerda que vem-se radicalizando, que vem-se fanatizando com velocidade, e que é responsável por elevar o acirramento e a hostilidade do debate público.

Mas como os progressistas estão fanatizados e histéricos, tornam-se incapazes de olharem para si próprios, e assim pensam que foram os conservadores que se radicalizaram.

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