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Dentre todos os truques que o progressista carrega na ecobag, encontra-se em lugar destacado essas manifestações da esquerda festiva. Esse clima de festa, de celebração, de “marcha rumo à utopia” de quem acha que está fazendo a história do lado certo, é uma das coisas que a esquerda sabe fazer bem. Some-se a isso o apoio de artistas, celebridades e outras pessoas em situação de Projac, e tem-se essa apoteose da hipocrisia política que vimos nas manifestações do último final de semana.
Não interessa que se faça um quebra-quebra que, ao final, o trabalhador tenha de limpar. A revolução, a conquista do poder, é muito mais importante do que o interesse isolado de qualquer indivíduo. O pobre é apenas um instrumento, e não sujeito da luta esquerdista.
Mas ainda é pior do que isso, porque mais ainda do que a revolução, o que importa para o esquerdista é a estética da revolução; mais ainda do que uma rendição às emoções fáceis da empatia pelos oprimidos, a esquerda é apenas uma afetação dessa rendição. O que vale é a estética; não temos projeto de país nenhum além de violência e carestia, mas você viu que o Chico estava lá? O PT está quebrando o país, mas você viu o bolchefitness sem camisa?
O esquerdismo é um hobby de afetação extra-classe, em que o bolchehipster sente-se bem porque associa-se esteticamente ao “povão”; é como o ricaço que vai de ecobag e regata rasgada ao Sushi Leblon, ou que usa havaianas enquanto viaja na primeira classe do avião
Não que seja algo de que já não tivéssemos conhecimento, mas os resultados do 1º turno trazem o conforto da comprovação: o esquerdismo é sobretudo um hobby estético de endinheirados. Em geral, Lula dispara entre os mais ricos mesmos. No condomínio do rico, é provável que o morador da cobertura vote em Lula, enquanto os porteiros e faxineiros votem em Bolsonaro.
E como se verifica na história, o comunismo nunca foi um movimento popular; tratou-se sempre de uma elite iluminada, de uma vanguarda revolucionária, que precisava guiar o povo pois este era alienado e não tinha consciência de classe.
O esquerdismo é um hobby de afetação extra-classe, em que o bolchehipster sente-se bem porque associa-se esteticamente ao “povão”; é como o ricaço que vai de ecobag e regata rasgada ao Sushi Leblon, ou que usa havaianas enquanto viaja na primeira classe do avião. Ele é rico, ele é elite, mas quer olhar no espelho e ver alguém que apoia "os mais pobres".
Enxergar a si mesmo como parte dessa marcha do povo rumo ao Amanhã Radiante é o principal conforto psicológico conferido pelo progressismo. Por isso ele é um movimento estético, porque mais do que transformar, o objetivo está em enxergar-se como agente dessa transformação. E por isso ele é "popular" nas áreas ricas das capitais, onde há muita gente da elite e gente que circula próximo a ela (universitários etc.) que acaba contaminada por essas ideias.
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Mas pode olhar a manifestação, ouvir os discursos, e verá: é menos ideia e mais estetismo, como se governar o país fosse igual a organizar um sarau na casa de Caetano: o que importa é a letra, a melodia, a forma.
Por isso que a pauta muda tanto: uma hora é aquecimento global (alguém lembra?), outra hora é Amazônia, depois banheiro trans, freepalestine etc. Para o progressismo, essas ideias são apenas acessórios, tatuagens, afetações estéticas para marcar a sua identidade.
E é por isso também que sujam e destroem tudo: quem é rico está acostumado a ter alguém para limpar depois; o bolchehipsternão recolhe as garrafas vazias e as guimbas de cigarro no dia seguinte. Enquanto o pobre empregado trabalha, o progressista recupera-se da longa e heróica ressaca.
A esquerda suja, a direita limpa. É assim com as ruas, com a economia, com a segurança pública, com a democracia, com a liberdade de expressão, com todo o material e o espiritual de nossas vidas.
Conteúdo editado por: Jocelaine Santos

Gustavo Maultasch é diplomata e autor do livro "Contra toda Censura: Pequeno Tratado sobre a Liberdade de Expressão", lançado pela Avis Rara. É formado em direito pela UERJ, mestre em diplomacia pelo Instituto Rio Branco e doutor em administração pública pela Universidade de Illinois-Chicago. Foi Network Fellow do Centro de Ética de Harvard (2013-2014). **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



