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No dia 26 de janeiro, o mundo civilizado recebeu a boa notícia de que Israel encontrou o corpo de Ran Gvili, último refém mantido em Gaza. A população de Israel pode finalmente descansar e congratular-se com o senso de que a sua principal missão – o resgate de todos os reféns – foi cumprida.
Uma das grandes lições que advêm desse sucesso refere-se à importância não apenas da força, mas também da convicção moral para se a utilizar. Israel nunca foi mais fraco que os seus inimigos; Israel nunca teve menos condições de se defender, ou de contra-atacar, que os seus adversários.
A esquerda do Ocidente trabalha hoje para destruir os seus próprios países, por meio do descontrole das fronteiras, da insegurança pública, e da letargia entusiasmada diante do próprio suicídio; e queriam que Israel fizesse o mesmo
O que manteve Israel de mãos amarradas foi uma espécie de chantagem moral praticada pelas elites progressistas do Ocidente: ou vocês agem como queremos, ou vamos fazer de tudo para acabar com a sua legitimidade. A força do Hamas advinha, assim, dessa mobilização da pressão do Ocidente contra Israel (e da internalização dessa pressão por parte da população israelense). Não à toa a estratégia do Hamas era colocar a própria população palestina sob risco, para assim aumentar suas baixas e poder denunciar Israel como um grande vilão que mata inocentes.
O que mudou desta vez foi que a ação do Hamas no 7 de Outubro foi tão bárbara, tão sádica, tão diabólica, que a maioria dos israelenses decidiu simplesmente ignorar a opinião mundial e concentrou-se em derrotar o inimigo.
De certa forma, os chantageadores do Ocidente estavam agindo com honestidade: a mesma pusilanimidade, a mesma desumanidade, a mesma rendição que eles exigiram de Israel, eles estão cometendo em seus próprios países. A esquerda do Ocidente trabalha hoje para destruir os seus próprios países, por meio do descontrole das fronteiras, da insegurança pública, e da letargia entusiasmada diante do próprio suicídio; e queriam que Israel fizesse o mesmo. O progressismo ocidental hoje tem apenas um comportamento diante do bárbaro: a rendição, a resignação, o autossacrifício como forma de redenção espiritual. (Viram como deixei esse bárbaro me estuprar em meu próprio país? Viva a diversidade!)
A lição trazida por Israel hoje é a mesma que os hebreus trouxeram no passado: o ser humano é capaz de fazer o bem e de fazer o mal, e aqueles que querem fazer o bem precisam estar dispostos a combater o mal com a mesma força, a mesma astúcia, a mesma convicção.
Culturas não são iguais, nem têm o mesmo valor. Pode-se sentir a manifestação de certa melancolia diante desse fato, mas é a realidade inafastável: uma cultura que permite o estupro, por exemplo, é pior do que uma cultura que o proíbe. O problema é que os progressistas promoveram a ideia de que qualquer comparação entre culturas é exercício imperialista, racista, ou ao menos politicamente incorreto. Mas acho que até os progressistas haveriam de concordar: o que é melhor, uma cultura que normaliza a escravidão, ou uma cultura que a repudia?
Essa compreensão do valor da própria cultura não é diletantismo; é passo fundamental para se construir a convicção que alimentará o ímpeto de a defender. A civilização ocidental – com a sua cultura de liberdades, democracia, igualdade perante a lei – é uma excelente realidade a ser preservada, e é melhor do que a barbárie que luta para a destruir. Com a sua ação nessa guerra, Israel demonstrou um caminho para todo o Ocidente: que a convicção sobre o seu próprio valor e a vontade de viver sempre vencerão os bárbaros.




