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Gustavo Maultasch

Gustavo Maultasch

Mundo

Trump contra o neocomunismo

Trump lançou ataque com mísseis contra a Venezuela e informou ter capturado Maduro no dia 3 de janeiro (Foto: Casa Branca / EPA / EFE)

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Talvez um dos traços mais distintivos do governo Trump seja a incapacidade que os seus adversários têm em compreendê-lo. Tanto à esquerda quanto à direita, os críticos do seu governo parecem incapazes de enxergar a racionalidade que embasa as suas ações, seja por ignorância ou má vontade. Esta semana, depois das ações contra Maduro, voltamos a escutar as platitudes de sempre: Trump é um populista, imperialista, imprevisível, intervencionista (ou isolacionista), e por isso é impossível atribuir qualquer razão às iniciativas do seu governo.

Para a esquerda, Trump é uma espécie de agente do caos, um fascista indigente e impulsivo que, de vez em quando, busca o seu interesse individual. As ações do seu governo seriam, assim, completamente imprevisíveis; ele é um autoritário que quer implantar uma ditadura em seu país mas, às vezes, ele busca favorecer as empresas americanas (bem como as suas). E de vez em quando ele não se importa com o mundo, e outras vezes ele se importa demais, intervindo na soberania de outros países.

Tomadas em conjunto, as ações do governo Trump revelam muito mais que uma preocupação com a contenção de outras potências ou com a manutenção da influência norte-americana no Oriente Médio, na América Latina ou em qualquer outra região

Se essa análise parece confusa e contraditória, é porque é mesmo: sabemos que o progressismo atual é completamente fanatizado, e como eles enxergam qualquer adversário como a representação do Mal, eles não conseguem ter a frieza e o desprendimento para fazer uma análise com um mínimo de coerência.

Para os críticos à direita – e aqui incluo os libertários –, Trump abandonou o princípio do America First e agora conduz a mesma política intervencionista dos neoconservadores. Trump seria refém, assim, do complexo industrial-militar, do lobby judaico, do establishment de Washington, e ele repetiria a política de Bush com seus anseios por transformar e democratizar o mundo. Para piorar, ao fazer isso ele teria traído as suas promessas de campanha, que são interpretadas – erradamente – como um projeto de isolamento e retração dos Estados Unidos em relação ao mundo.

Esse é um debate grande que ocorre hoje dentro do chamado MAGA (Make America Great Again), movimento que apoiou o presidente durante sua eleição e segue como sua base de apoio popular. Críticos de Trump à direita estão tentando agora reescrever o significado do MAGA, dando a entender que qualquer apoio a um aliado (por exemplo, a Israel) significaria privilegiar o aliado em detrimento dos Estados Unidos – como se ter aliados não fosse uma estratégia possível para se obter benefícios nas relações internacionais.

O problema desses críticos à esquerda e à direita é que suas análises estão tão presas, mas tão presas, em suas distorções ideológicas sobre Trump, que elas não conseguem encontrar uma unicidade lógica, um eixo conceitual que permita organizar mentalmente ações aparentemente tão díspares.

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É certo que o governo Trump tem um repertório inusitado de ações e de propostas – como a anexação da Groelândia. Mas isso não significa que não possamos encontrar alguma coerência por trás de suas ações. De minha parte, as ações de Trump demonstram bastante coesão política, em especial quando analisamos conjuntamente a sua política doméstica – como o seu esforço por resolver o problema migratório e por reverter a radicalização das universidades.

Tomadas em conjunto, as ações do governo Trump revelam muito mais que uma preocupação com a contenção de outras potências ou com a manutenção da influência norte-americana no Oriente Médio, na América Latina ou em qualquer outra região. O eixo organizador de sua política parece ser a reconstrução da autonomia dos Estados Unidos e do Ocidente, bem como o fim da submissão desses países ao projeto neocomunista de destruição dos valores ocidentais – como a liberdade de expressão, a soberania da nação e o seu direito à representação democrática (em oposição à representação por elites ou juízes não-eleitos). Entendida dessa maneira, a política do governo Trump torna-se mais racional e previsível; e o que deveria causar espanto é, na verdade, por que é que não temos muitos outros líderes no Ocidente fazendo o mesmo.

Conteúdo editado por: Jocelaine Santos

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