Empreendedorismo do bem rumo a um futuro sustentável
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Na semana em que completou 328 anos, no último dia 29 de março, Curitiba se destacou por ocupar a 30a posição no levantamento de cidades mais sustentáveis do Brasil, sendo a primeira entre as capitais e metrópoles. O município liderou o ranking no Paraná, que possui outras 32 localidades entre as 200 primeiras colocações.

A pesquisa é feita pelo Programa Cidades Sustentáveis em parceria com a Sustainable Development Solutions Network, uma iniciativa da Organização das Nações Unidas (ONU) para monitorar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) nos países-membros da entidade. Foram analisados 770 municípios brasileiros, incluindo as 26 capitais e cidades de todas as regiões metropolitanas. Cada localidade foi avaliada a partir de 88 indicadores de gestão que observam o atingimento total, parcial ou o não atingimento dos objetivos propostos pela ONU, listados abaixo:

ODS 1: Erradicação da pobreza
ODS 2: Fome zero e agricultura sustentável
ODS 3: Saúde e bem-estar
ODS 4: Educação de qualidade
ODS 5: Igualdade de gênero
ODS 6: Água limpa e saneamento
ODS 7: Energia limpa e acessível
ODS 8: Trabalho decente e crescimento econômico
ODS 9: Indústria, inovação e infraestrutura
ODS 10: Redução das desigualdades
ODS 11: Cidades e comunidades sustentáveis
ODS 12: Consumo e produção responsáveis
ODS 13: Ação contra a mudança global do clima
ODS 14: Vida na água
ODS 15: Proteger a vida terrestre
ODS 16: Paz, justiça e instituições eficazes
ODS 17: Parcerias e meios de implementação

Dos 17 objetivos, Curitiba se destaca por ter alcançado os seguintes: 7, 9, 12, 13 e 14. Entre eles, coloco uma lupa no nono item, referente à indústria, à inovação e à infraestrutura. Os subindicadores deste objetivo são: 1) investimento público em infraestrutura como proporção do Produto Interno Bruto (PIB); 2) participação dos empregos em atividades intensivas em conhecimento e tecnologia.

A capital paranaense é bastante conhecida por sua forte atuação no setor industrial, tendo galgado patamares elevados no setor de tecnologia, com diversas startups que se destacam tanto no cenário nacional quanto no mundial. Nesse contexto, muitos negócios tecnológicos têm nascido com um apelo social – é o “empreender para fazer o bem”. Mas isso não pode ser confundido com filantropia ou assistencialismo, pois um empreendimento “do bem” também precisa ter lucratividade para crescer e gerar cada vez mais impacto.

As startups de impacto social não atraem tanta atenção de investidores. São, porém, cheias de propósito, fazendo com que suas operações proporcionem um sentimento enorme de satisfação pessoal, além da geração de receita. E muitos desses empreendimentos vão muito bem, obrigado.

Como exemplos locais, podemos citar as curitibanas Favo Tecnologia e Pólen. A primeira possui sistemas que dão eficiência a uma agricultura residencial, como técnicas de irrigação e luminosidade que podem ser controladas por um aplicativo próprio de qualquer lugar do mundo. Já o Pólen é um sistema que capta doações em transações que ocorrem de maneira online. Pense naquela ida à faculdade usando um aplicativo de transporte cuja corrida fechou em R$ 15,70. O que custa arredondar para R$ 16 e sentir que você está fazendo o bem em campanhas de solidariedade que são auditadas? Pois bem, o Pólen tem mais de 300 empresas cadastradas – e já captou mais de R$ 1 milhão. Além disso, uma startup também curitibana recém lançou uma campanha de empreendedorismo social para fomentar a contratação de 100 mil pessoas.

Para apoiar o nascimento de negócios sociais, há mecanismos importantes em Curitiba, como o Instituto Legado, os Worktibas e o Ideiaz by Inovativa, que conta com a curadoria da Hotmilk no Paraná. São programas e comunidades que dão apoio específico ao crescimento de negócios sociais.

Outro mecanismo recente para apoiar o desenvolvimento de comunidades de alta vulnerabilidade é o Climate Labs. Trata-se de projeto financiado pela Comunidade Europeia e executado pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) para fortalecer as capacidades das universidades latino-americanas para a adaptação e mitigação da crise climática por meio da inovação social. A ação já conta com o apoio do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc).

Esse movimento tem como objetivo conectar cinco hélices (que já foram três): a academia, as empresas, o Poder Público, o terceiro setor e a sociedade civil. Como projeto piloto, o Climate Labs irá trabalhar com a bacia do Rio Belém, mais especificamente com a Vila Torres. Observando principalmente a adaptação às mudanças climáticas, o laboratório vai atuar com a comunidade local para promover a geração de negócios sociais.

“Moradores da comunidade podem transformar lotes que estão tomados por entulhos em hortas comunitárias para a alimentação de subsistência e também para a venda em mercados locais. Ainda, é possível produzir plantas com fins cosméticos, que possuem maior valor agregado. Outro exemplo é a capacitação de profissionais para uma construção civil especializada em obras sustentáveis, com melhor isolamento térmico, drenagem e uso de captação de água de chuvas”, diz o professor André Turbay, coordenador do projeto.

Ele também cita uma possível união entre a comunidade e o terceiro setor para a prestação de serviços de qualificação em outras comunidades, capilarizando o aprendizado e criando uma nova fonte de renda.

Essas ações são exemplos do “empreendedorismo do bem”, que, além de auxiliar economicamente essas comunidades, podem levar Curitiba a melhorar índices em ODS que ainda estão longe de serem alcançados, como a erradicação da pobreza, fome zero e agricultura sustentável, trabalho decente e crescimento econômico, redução das desigualdades e cidades e comunidades sustentáveis.

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