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Falamos muito em liberdade, aqui neste espaço especialmente naquela que se refere ao direito fundamental de ser livre para se expressar, pensar e se posicionar sobre o que quer que seja, mas será que entendemos o que é ser livre? E, mais importante, queremos mesmo ser livres? Estamos dispostos a arcar com a responsabilidade que a liberdade nos impõe? Tenho lá minhas dúvidas.
Embora quase ninguém se disponha a falar mal da liberdade ou a negar sua importância, em terras brasileiras há tantos entraves às liberdades individuais que a impressão é a de que se trata de um valor de segunda classe, que precisa ser constantemente mediado pelo Estado ou, em alguns casos, simplesmente suprimido sem qualquer pudor. E, na maioria das vezes, nem nos damos conta disso. Concordamos tacitamente em deixá-la de lado ou, pior, somos nós mesmos que nos voltamos contra ela.
Enquanto não compreendermos o valor da liberdade, continuaremos sendo privados dela pouco a pouco, até que, quando sua ausência se tornar insuportável, já seja tarde demais para recuperá-la
A liberdade econômica no Brasil passa sufoco diante das constantes intromissões governamentais. O Estado regula setores, impõe remunerações mínimas, estabelece custos patronais e determina cargas horárias. Quer empreender? Prepare-se, porque não será fácil. Ainda pior é a situação da liberdade de pensamento e de expressão.
Como ocorre em regimes autoritários, há coisas que simplesmente não podem ser ditas – ainda que não tenham nada de mais. Nem mesmo a liberdade religiosa escapa. Padres tornam-se alvo da Justiça por sermões, a oração dentro das escolas é proibida e mencionar ensinamentos da fé chega a ser comparado a crime de ódio.
Em nações onde a liberdade é mais valorizada, a situação brasileira não passaria despercebida. Por aqui, porém, as coisas são bem diferentes. Na maioria das vezes, apenas quando o ataque à liberdade – econômica, de expressão, de imprensa ou religiosa – nos atinge pessoalmente é que percebemos seu verdadeiro valor. Quando não somos afetados, ou quando a vítima é alguém de quem não gostamos, tendemos a não nos importar. E isso faz a alegria dos poderosos que têm um pezinho no autoritarismo.
Liberdade não é artigo de luxo, nem item supérfluo que possamos dispensar conforme a conveniência. Tampouco deve ser distribuída em gotas pelo governo federal ou pelo Judiciário, como uma concessão graciosa aos cidadãos. Trata-se de um direito fundamental, condição indispensável para uma sociedade verdadeiramente democrática. Enquanto não compreendermos o valor da liberdade, continuaremos sendo privados dela pouco a pouco, até que, quando sua ausência se tornar insuportável, já seja tarde demais para recuperá-la.




