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José Pio Martins

José Pio Martins

Filosofia

O agente homem na era do caos

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Alemães comemoram, no Muro de Berlim, a abertura das fronteiras entre a Alemanha Oriental, socialista, e a Alemanha Ocidental, capitalista. (Foto: EPA/Stringer)

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O homem é o único animal que tem propósito consciente, e essa característica está na base sobre a qual cada um inventa seu projeto de vida e de felicidade pessoal, limitado pelas condições e circunstâncias materiais de seu meio.

Conquanto haja semelhança entre vários elementos do projeto pessoal, posto que as necessidades vitais – como alimento, abrigo e repouso – são as mesmas para todos, cada projeto é único e individual, variando de homem para homem e, para o mesmo homem, em momentos diferentes.

Esse é o começo da realidade humana que nos proíbe impor ao outro nossa vontade e nossa maneira de ser e de pensar, mesmo quando argumentamos que o fazemos para a felicidade dele.

Claro que há situações em que somos instados a ditar regras, impor comportamentos e vedar certos atos, como quando o fazemos na educação de crianças. Mas essas imposições precisam se justificar para o bem-estar físico e mental daquele que as recebe.

A liberdade não é apenas uma questão de direitos individuais. É um imperativo do progresso individual, empresarial e nacional

Segundo dados publicados, mais de 100 milhões de pessoas foram assassinadas por ditaduras somente no século 20, principalmente nas ditaduras comunistas, e todos os tiranos diziam que as mortes eram pelo bem de seu povo.

Quando disseram a Stalin que a matança estava indo longe demais, ele respondeu: “pelo bem do povo, eu faço qualquer coisa”. Aqui no Brasil, muitos políticos, jornalistas e intelectuais defenderam as execuções feitas por Fidel Castro, dizendo que foram “necessárias”.

A vida em sociedade exige regras de conduta iguais para todos, mas essas regras devem respeitar a vida e a liberdade individual, nunca porém proibir, punir ou censurar atos e assuntos pessoais e particulares que não tenham efeitos sobre terceiros.

O grande filósofo Immanuel Kant (1724-1804), quando era incomodado pelas autoridades, respondia que “ninguém pode me obrigar a ser feliz à sua maneira”. Para ele, a única obediência devia ser às leis, que deveriam ser poucas e boas.

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O socialismo soviético começou a ruir quando teve de enfrentar o entrechoque do Estado teórico das cartilhas marxistas com o Estado concreto, esse com o qual temos de lidar todos os dias. Ninguém é iluminado a ponto de querer impor seu projeto de vida sobre a sociedade.

A capacidade de inventar, criar e inovar só é possível em regime de liberdade. Liberdade é ausência de coerção, entendida esta como uma imposição autoritária sobre o indivíduo, que o leva a agir diferente da forma que agiria se não houvesse a imposição.

A liberdade não é apenas uma questão de direitos individuais. É um imperativo do progresso individual, empresarial e nacional. A população mundial levou 1.830 anos para atingir um bilhão e só conseguiu atingir 8,2 bilhões em 2024 em função da revolução liberal.

O melhor remédio que a humanidade encontrou para lidar com a imperfeição humana e as diferenças individuais em regime de paz foi a união da democracia política com o Estado de Direito e economia livre de mercado, sob limitação dos poderes do governo e proteção da vida, da liberdade, da propriedade e a segurança dos cidadãos.

Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

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