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Uma das maneiras mais simples e garantidas para se medir a ruindade básica do governo Lula é considerar a situação do ministro Fernando Haddad. Até certo tempo atrás, por mais estranha que possa parecer uma observação como essa, Haddad era geralmente apontado como um dos ministros menos ruins do time de quinta divisão-C que o presidente escalou para compor o seu ministério. Era como num concurso de miss só com mulher feia. Naquele mar de barangas, Haddad até que parecia menos horrível que a companheirada do “primeiro escalão” – talvez por aparentar uma disposição de espírito menos agressiva do que os demais. É um tempo que já ficou no passado.
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Hoje, o ministro da Economia, que confessou antes de assumir o cargo que não entendia nada de economia, subiu de turma e já está plenamente integrado ao núcleo duro dos piores militantes do aglomerado que Lula faz passar como o seu “ministério”. (Foi esse grupo que se reuniu no Palácio do Planalto para fazer “a primeira reunião ministerial do ano” com Lula, em mais uma palhaçada para simular atividade; é óbvio que ninguém pode fazer absolutamente nada numa reunião com 40 pessoas.) Até tu, Haddad? Até tu.
Haddad confirmou, aí, que tem tudo o que é preciso para sair do bloco dos possíveis menos ruins para a comissão de frente dos que são ruins com certeza absoluta. Assim que ficou claro o tamanho da estupidez que sua área tinha cometido, pulou no meio da gritaria histérica contra as 'fake news'
Se estivesse contando com a imagem de um Haddad “moderado” para aliviar um pouco a sua barra, o governo Lula pode tirar o cavalo da chuva. Nunca houve, essa é que é a verdade, um Haddad moderado, assim como não existe um Rolex fabricado em Pedro Juan Caballero. O que sempre houve foi um Haddad mesmo, o único que existe na vida real – e esse acabou se revelando tão ruim quanto o resto do cardume que nada em volta de Lula. Sua epifania aconteceu com o desastre com perda total das novas regras do Pix, um negócio tão ruim, mas tão ruim, que o próprio governo teve de anular a decisão que tinha tomado.
Haddad confirmou, aí, que tem tudo o que é preciso para sair do bloco dos possíveis menos ruins para a comissão de frente dos que são ruins com certeza absoluta. Assim que ficou claro o tamanho da estupidez que sua área tinha cometido, pulou no meio da gritaria histérica contra as “fake news” – como se fossem as redes sociais de “extrema direita”, e não a Receita Federal, teoricamente sob seu comando, que tivessem escrito a ordem amaldiçoada.
Jogou-se de cabeça na ala policial do governo formada em torno da Advocacia-Geral da União – que manda a Polícia Federal sair atrás dos “culpados” pela alta do dólar, pelo naufrágio do Pix e pelos memes que chamam o ministro de “Taxadd”. Está fazendo declarações tão cretinas como as que Lula faz praticamente todos os dias.
O ministro Haddad virou uma espécie de Janja econômica do governo Lula – um foco de piadas, retrato fiel do cafajestismo geral do Lula-3 e, sobretudo, o sinônimo do gato gordo sem noção que ninguém leva a sério. Já foi considerado um fator de “equilíbrio” no governo. Hoje é só mais um ministro como os outros.
Conteúdo editado por: Jocelaine Santos

J.R.Guzzo é jornalista. Começou sua carreira como repórter em 1961, na Última Hora de São Paulo, passou cinco anos depois para o Jornal da Tarde e foi um dos integrantes da equipe fundadora da revista Veja, em 1968. Foi correspondente em Paris e Nova York, cobriu a guerra do Vietnã e esteve na visita pioneira do presidente Richard Nixon à China, em 1972. Foi diretor de redação de Veja durante quinze anos, a partir de 1976, período em que a circulação da revista passou de 175.000 exemplares semanais para mais de 900.000. Nos últimos anos trabalhou como colunista em Veja e Exame. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



